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Ricardo Motta

Os agrotóxicos são polêmicos no combate às pragas nas lavouras. O uso indiscriminado causa resistência das pragas, contamina solo e água e pode deixar resquícios em algumas culturas. Um pesquisador do Departamento de Entomologia da UFV (Universidade Federal de Viçosa) realizou uma longa pesquisa em 163 séries de dados de artigos já publicados sobre o tema em todo o mundo para dar mais um passo na comprovação de uma outra consequência do uso destes defensivos químicos: a ressurgência das pragas e a importância dos inimigos naturais no combate efetivo delas. O trabalho foi publicado na prestigiada revista Ecology Letters e realizado pelos pesquisadores Arne Janssen e Paul C. J. van Rijn. Arne é professor Honoris Causa da UFV, orientador do Programa de Pós-Graduação em Entomologia e professor da Universidade de Amsterdam, na Holanda. Os autores analisaram os principais artigos já publicados em todo o mundo sobre combate a pragas agrícolas. Utilizando modelos matemáticos de predador-presa com vários graus de complexidade, eles simularam a dinâmica das pragas e de seus inimigos naturais. Para isto, utilizaram vários métodos e frequências de aplicação de agrotóxicos, com uma única aplicação por estação, aplicações regulares e aplicações quando o nível de pragas superou uma densidade limiar. Estas simulações mostraram que, com as aplicações dos agrotóxicos, a densidade das pragas ressurgiu em níveis acima da densidade obtida sem o uso dos agrotóxicos, mesmo quando os inimigos naturais foram menos susceptíveis ao agrotóxico do que as pragas. Os pesticidas diminuíram a densidade das pragas consistentemente somente quando eles reduziram muito ou eliminaram os inimigos naturais. Assim, ao longo de uma estação, a população de pragas era maior com aplicação de agrotóxicos do que sem eles. Isto ocorre, segundo Arne, mesmo quando os agrotóxicos são aplicados repetidamente. A conclusão dos pesquisadores é que, a longo prazo, o que de fato controla as pragas são os inimigos naturais e não os pesticidas. Se é assim, para os autores, talvez seja melhor investir no controle biológico de pragas do que no desenvolvimento de novos pesticidas. O grande problema é colocar isso na cabeça dos atuais governantes do Brasil. São apaixonados por pesticidas. Bolsonaro bateu o próprio recorde: 2020 foi o ano com maior aprovação de agrotóxicos da história. Foram 493 produtos aprovados, um número ainda maior do que 2019, antigo recordista. Em 02 (dois) e meio de mandato, presidente liberou mais de 1.000 agrotóxicos. Joaninhas alimentando-se de pulgões em dois estágios de vida: ninfa de joaninha (Eriopis connexa), à esquerda e, joaninha adulta (Hippodamia convergens), à direita. (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

19/07/2021– 14:57

MEIO AMBIENTE Como jornalista cumpre-me, prioritariamente, o direito e o dever de informar, sem paixões e sem extremismos. Para quem me conhece, sabe de que lado sempre estive: sou um homem ambientalista e por convicção, um socialista! Nunca abrir mão das minhas convicções ideológicas, que são de esquerda. Paguei por isso: perdi emprego, fui perseguido, fui censurado e preso algumas vezes “por desacato” à autoridade. Fui condenado por atentado violento ao pudor, com base na Lei de Imprensa, monstro gerado em1967, em plena Ditadura Militar. Na parede do meu quarto, plastificada, está a sentença do juiz Wander Marotta Moreira (1984). Meu maior troféu pela liberdade de expressão que ousei publicar no jornal “O Piranga. Coincidentemente, a edição circulou dia 14 de julho, Dia da Revolução Francesa, a Queda da Bastilha. Napoleão Bonaparte tem razão: coincidência é para os tolos, para mim é história!. Passei pelo Mensalão, pelo Petrolão, ouvi todos os presidentes xingarem e defenestrarem a Imprensa, principalmente a Rede Globo (aquela que corrompe a moral dos brasileiros. Principalmente daqueles que pregam respeito à família e têm amantes às escondidas. Hipocrisia!). Agora, chegou a vez da prevaricação chegar no seio do Planalto, além de ser abastecida pelas “racchadinhas” do clã Bolsonaro. Não escapa ninguém da árvore genealógica: Micheque, Flavinho, Carluxo, Fritador de Hamburguer no Maine, garoto prodígio do condomínio (pegador!) e o “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. Como assim: e quem não acredita em Deus, como é que fica? Fico lendo e ouvindo gente falando a torto e à direita sobre o Comunismo: “não deu certo em lugar nenhum do mundo e blá, blá, blá”. Conversa de gado. A oposição brasileira não quer implantar comunismo. O que se quer é fazer o povo voltar a ter alegria, sem preconceito contra negros, homossexuais, índios, moradores de rua, etc. E não será com a Direita no poder. Ela tem ódio do povo! Me lembro de uma expressão de Ulisses Guimarães: essa gente é igual cão mastim: lambe o saco do dono e morde a perna do povo! Durante o Simpósio Interdisciplinar sobre o Sistema Político Brasileiro, em que defendeu a adoção de um sistema ‘semi-presidencialista’ para o País a partir de 2026, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, reforçou que o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, se deu por razões unicamente políticas. “Creio que não deve haver dúvida razoável de que ela não foi afastada por crimes de responsabilidade ou corrupção, mas sim foi afastada por perda de sustentação política. Até porque afastá-la por corrupção depois do que se seguiu seria uma ironia da história”, afirmou Barroso, em uma manifestação de 05 de julho de 2021. Será que querem afastar o Jair Messias Bolsonaro por razões políticas, ou pelas centenas de atitudes autoritárias, fora da lei e com desprezo pela vida dos que estão morrendo por sua irresponsabilidade perante o coronavírus? Com a resposta o gado que pasta solenemente, enquanto o Pazuello se esconde atrás de 100 anos de sigilo! (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

12/07/2021– 11:53

Piau-vermelho é o peixe símbolo do Rio Piranga Ouvi atentamente o prefeito Wagner Mol Guimarães na quarta-feira, dia 30 de junho de 2021. Vi que sua emoção era verdadeira quando falou das dificuldades enfrentadas para colocar em execução das obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Acompanhei todas as etapas, desde 2002, quando, enquanto presidente do Codema, enviei ofício ao DMAES solicitando a elaboração de um Plano Diretor de Esgoto para nortear os caminhos que seriam seguidos para o tratamento do esgoto sanitário. Mas, as falas que me deixaram ainda mais otimista para as coisas em defesa do Rio Piranga (dentro das periferias da construção da ETE) estão o plantio da sua mata ciliar e o mais importante: criação de alevinos de peixes nativos para repovoamento do nosso inspirador recurso hídrico, uma reserva natural tão ou mais importante que o pulmão florestal de oxigênio do Parque Natural Municipal Tancredo, no Passa-Cinco. Em 2013, uma parceria da ONG Puro Verde com a Semam e o Codema proporcionou a soltura de 07 (sete) mil alevinos de matrinxã no Rio o Piranga. Esta espécie está ameaçada de extinção, bem como a corvina. Matrinxã é um peixe de escamas, coloração prateada, corpo alongado, capaz de atingir 80 centímetros de comprimento e 05 (cinco) quilos de peso. Tem nadadeiras alaranjadas, mas a da cauda é escura. Após a fala do prefeito Wagner Mol mantive conversas com o secretário de Meio Ambiente, Bruno do Carmo, ainda no canteiro de obras da ETE, para debater onde se poderia montar um criatório de peixes nativos. Uma das propostas seria utilizar a estrutura da antiga estação primária de tratamento de água (apenas cloração) que era proveniente de nascentes do Passa-Cinco e depois a água era distribuída por gravidade para os bairros de Fátima, Palmeiras, Guarapiranga. Isto na década de 1920. Sugeri a ele que procurássemos o PHD em Biologia e Pós-PHD em Peixes, professor Jorge Dergam para agilizarmos o procedimento e começar o criatório, imediatamente. Disse ao Bruno do Carmo que uma equipe de pesquisadores da UFV, liderada pe-lo professor do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal, Jorge Dergam, vem desenvolvendo pesquisas em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), buscando a conservação de peixes migratórios de água doce. Os estudos envolvem a caracterização genética das espécies e, associados a dados de comportamento e ecologia, orientam quanto às intervenções necessárias para garantir a preservação de populações saudáveis nas bacias hidrográficas estudadas. Ele desenvolve, inclusive análises para produção do piau-vermelho, o peixe símbolo do Rio Piranga. (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

05/07/2021– 10:00

Como ambientalista, há mais de 40 anos, participei de inúmeros processos em busca de soluções para a destinação final correta do lixo urbano. Foram dezenas de seminários, palestras, promessas, compromissos e apenas a velha e surrada desculpa de que a população não colabora. Isto é verdade, mas o poder público vem negligenciando a situação há anos. Gastaram rios de dinheiro no Lixão do Sombrio. E agora, recentemente, apelam para a iniciativa privada para dar um jeito: querem entregar terreno para a iniciativa privada trazer lixo da Ponte Nova e construir uma usina de lixo para gerar energia elétrica. Contramão da história: podemos gerar energia só com os nossos resíduos sólidos, como está sendo feito em Boa Esperança. Mas, ora, para que isso? E os municípios da região batem palmas, vão se livrar do seu lixo que serão transportados para cá. Sempre defendi que coletiva seletiva tem que ser a prioridade na questão do lixo. E isso envolve mobilização da sociedade através de educação ambiental, projetos objetivos e mangas arregaçadas. A ACIP/ CDL tem papel fundamental neste processo. Pode reunir seus associados e emitir sinais de que as lojas, bares, restaurantes façam a coleta seletiva. Propor que os funcionários não varram o lixo para a rua e separá-los. E depois entregá-los na Cooperativa de Recicladores de Ponte Nova (Coorpnova) já existente, com Centro de Triagem no Bairro Vale Suíço II. Mas, o que se viu nos últimos dias é que a situação ficou tensa. A coleta seletiva teve uma queda acentuada. Precisa-se reverter este quadro. Falta intensidade na edução ambiental, a ida de casa em casa para orientações. Ao mesmo tempo o poder público precisa dar entrada na Supram para licenciar o Aterro Sanitário no terreno adquirido na estrada de Barra Longa (Fazenda Cachoeira), distante 05 (cinco) quilômetros do bairro da Rasa. Este terreno foi escolhido pelo Codema já em 1998, com laudos técnicos comprovando que o terreno do Sombrio era inadequado. Mas, a administração municipal quer é usina de lixo, sem ouvir a comunidade, sem explicar onde vai ser. O Lixão Zero do governo Federal é para beneficiar empreendedores e vai acabar com a coleta seletiva, selando o fim da Coorpnova. A aquisição do terreno aconteceu em 2010, com recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente (FMMA). Foram disponibilizados R$ 85 mil do FMMA e a Semam entrou com mais R$15 mil. Para a liberação dos recursos do Fundo, como presidente do Codema, exigi solicitação direta do Prefeito Joãozinho de Carvalho e um parecer técnico-jurídico elaborado pelo advogado e Procurador Jurídico do Município Marcus Vinícius Martins da Silveira. Os documentos encontram-se na sede do colegiado, que agora está vinculado à Semam. Lamentavelmente estamos atrasados 14 anos, desde quando o Deputado Federal Ronaldo Vasconcellos conseguiu recursos para resolver o problema do lixo urbano, Dinheiro foi mal aplicado, gerou processo movido pelo Ministério Público. Os mesmos recursos foram repassados para Itabirito. Vai lá para conferir. A cidade tem 100% de coleta seletiva. Não tem lixo na rua e a coleta acontece entre 6 h e 7h30min. Caramba! (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

28/06/2021– 12:41

Anitta acabou se confundindo enquanto criticava o agronegócio no Brasil em seu perfil no Instagram. A cantora afirmou, por exemplo, que as vacas só produzem leite quando estão “grávidas” e que baby beef é “carne de bezerro”. Afora, a beleza, o charme e a performance da grande artista brasileira, ela demonstra total ignorância sobre o reino animal. O pessoal do agronegócio não perdoou. “Para você tirar leite da vaca todo dia de manhã para o resto da vida, ela em que estar grávida para sempre, né? A vaca não dá leite assim, não é um bicho que dá leite do nada. A vaca, para dar leite, tem que estar grávida, tem que ter um filho. A vaca é igual aos animais. Minha teta está aqui, mas não estou dando leite”, disse Anitta em seus stories no Instagram. O agrônomo Xico Graziano usou as redes sociais para criticar a maior artista brasileira da atualidade: “O vídeo que ela publicou é bizarro. O ambientalismo virou uma palhaçada na boca dos artistas”. Anitta erra, pois as vacas, diferentemente do que ela disse, podem produzir leite por dois anos após o nascimento do bezerro. As mulheres amamentam até 03 (três), em determinados casos. Anitta não parou com seu cáustico comentário e “dando mais uma varada n’água”: “É por isso que parar de comer carne mas continuar consumindo alimentos como queijo, leite, iogurte dá no mesmo, porque o impacto ambiental é o mesmo para essa questão da agropecuária”. Aí ela comete o despropósito de forma ignorante: “é ainda pior, porque tem que ter um monte de bezerro o tempo inteiro, enche a vaquinha de hormônio para ela sempre estar pronta para engravidar, tem que ter bezerro o tempo inteiro, que é tirado da mãe. Eles tiram o bezerro, deixam-no lá paradinho e criam o baby beef”. Só que a funkeira não sabe que o nome “baby” do beef não tem nada a haver com idade do animal, pois o “baby beef” é um dos cortes nobres retirados do miolo da alcatra e, apesar de ter “baby” no nome não vem dos bezerros, ao contrário do que Anitta falou. Roberta Zügue, doutora em reprodução animal pela Universidade de São Paulo diz que a fala da celebridade demonstra ignorância sobre o tema. “Ela pode não saber, mas utiliza muitos produtos de origem animal. Quando você vai tirar sangue, por exemplo, o líquido no fundo do frasco é heparina, feito da partir de vísceras de bovinos e suínos. Tem também o superfactante, que é extraído do pulmão bovino e permite que bebês prematuros sobrevivam”, diz a doutora Roberta Zügue. Este debate mas faz lembrar quando Roberto Carlos fez um comercial para a Friboi para falar da picanha: “não, o meu prato é aquele ali”, reclama o Rei. “Você voltou a comer carne, Roberto?”, questiona o garçom. “Voltei! Mas essa carne é Friboi”, responde ele. Nesse momento, começa o refrão da música “O Portão”, com “eu voltei, agora pra ficar”. Mas, Roberto Carlos comia peixe. Então ele não disse a verdade no comercial, que foi um fracasso e retirado do ar em menos de 01 (um) mês. Será que Anitta é vegana? Ou joga para a plateia? (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

21/06/2021– 14:15

As mulheres têm seus mistérios extraordinariamente guardados. Vê-las caminhando sobre saltos muito me emociona e me intriga. Por que elas sabem usar o salto agulha e ainda andar de forma tão sensual? Homens não seriam capazes de tal proeza e os que o fazem não são mais homens e por isso assimilam a energia cósmica do bicho mulher! Mistérios insondáveis rondam as mulheres e desejos inconfessáveis dos amantes buscam respostas para seus hábitos peculiares. Por que elas gostam tanto de usar calcinhas imitando biquíni fio dental? Sentiriam desejo em função do movimento, quase que constante naquela região, onde a maioria absoluta delas rejeita um ato mais ousado? Quando escrevo penso na raiva que muitas terão, achando que este texto é um libelo pornográfico. E elas talvez não gostem de revelar que gostam disso. Aí entraria uma espécie disfarçada de traição: ficar se masturbando olhando o tamanho do pênis avantajado dos atores pornôs! Nem pensar que isto atrai orgasmo! E se o marido descobre esta atitude considerada canalha? E entre o salto e o sobressalto, as mulheres se deslocam diuturnamente no universo dos homens. Com perfumes inebriantes ou mesmo com o cheiro natural, que é muito melhor. Alguém já viu uma cadela no cio? São tantos machos atrás, mas ela escolhe aquele de sua preferência para ser o primeiro. Depois, na lascívia, são tantas as investidas, que ao final cai no sono por causa do cansaço físico. François Truffaut, em seu filme “O HOMEM QUE AMAVA AS MULHERES”, dizia pela boca do ator Charles Dener, que interpreta o conquistador Bertrand Moran: “para mim não existe nada mais belo de se ver do que uma mulher andando, desde que com vestido ou saia que mexesse no ritmo de seu andar. Algumas são belas vistas por trás, que hesito ultrapassá-las para não ficar decepcionado, mas nunca me desaponto. Quando de frente são feias me sinto, de alguma forma, aliviado, pois infelizmente não posso ter todas”. Mulheres! Quem viver pode, sem elas? Os mistérios das mulheres me fascinam! Este mini texto foi escrito para uma linda mulher em 2008. Ela escapuliu com uma frase surrada: “Ricardo Motta, quem não conhece te compra! ”. Caramba, que mulher insensível! (rsrsrsrs).

14/06/2021– 11:38

Foi o que disse dom Erwin Kautler, bispo emérito do Xingu à Folha de S.Paulo em 29 de maio de 2021. Para ele, ainda não desceu a frase pronunciada pelo ministro do Meio Ambiente em abril de 2020 em uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto em Brasília. Ele disse que o governo deveria aproveitar a pandemia para passar a “boiada”. O investigado ministro Ricardo Salles pela prática de advocacia administrativa, organização criminosa e contrabando de madeira na região norte (Pará e Amazonas), referia-se a propor alterações na legislação ambiental para ajudar os empresários e milionários madeireiros e empreendedores imobiliários, várias imorais portarias e decisões de Ricardo Salles foram barradas no STF (Superior Tribunal Federal). “Isso para mim foi uma das mais vergonhosas expressões que um político brasileiro já produziu”, acrescentou o bispo do Xingu, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica. Ele entregou uma carta, assinada por lideranças católicas, aos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado, o mineiro Rodrigo Pacheco. Dom Erwin Kautler quer que os políticos “realmem” a economia e não sejam coniventes com projetos que devastam o meio ambiente, como o que está tramitando no Congresso Nacional. O projeto de lei 3.729/2004 torna letra morta o licenciamento ambiental. Se aprovado empreendimentos avançarão impiedosamente sobre a nação indígena e as comunidades quilombolas. Outro projeto vergonhoso, chamado de “PL da Grilagem”, permite a titulação de terras após invasão por grileiros que falsificam documentos. É regulamentar o crime! Em porcentagem menor, a legislação ambiental de Ponte Nova sofreu um retrocesso depois de 2017, com a entrada no poder do atual mandatário. Tirou prerrogativas da sociedade organizada, como associações de bairros e ONGs, “pois agora a raposa cuida do galinheiro”. Antes, uma Câmara Técnica do Codema analisava corte e poda de árvores em vias públicas. Isto agora é incumbência direta do poder público. Resultado: centenas de árvores foram cortadas e substituídas (poucas) por árvores de pequeno porte, contribuindo para o empobrecimento do verde e consequentemente diminuindo o poder de captação de gás: aquecimento local pra valer! Nem tudo está perdido: nesta semana que antecede o Dia Mundial do Meio Ambiente, que transcorre amanhã, 05 de junho, a secretaria municipal de Meio Ambiente (Semam) vai distribuir mudas de árvores nativas e de frutíferas, é só ligar para (31) 3881-1896 e agendar a retirada das mudas. 300 mudas serão doadas para a Associação Comunitária dos Amigos e Moradores de Copacabana (AmaCopa) para replantio no local onde um incêndio consumiu mais de 500 mudas plantadas recentemente. *Meu Nome é Ricardo Motta de Almeida, sou mineiro de Coimbra, 48 horas de cavalo e 10 de trem. Jesus Cristo é aquilo que me ajudou a compreender o que eu não compreendia: a solidariedade, a fé e a coragem para dizer o que penso! (Parodiando Raul Seixas). (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

07/06/2021– 13:04

O setor de manejo de resíduos sólidos gera emprego e renda. Ele representa, no Brasil, cerca de 400 mil empregos diretos e um milhão de empregos indiretos. Os números correspondem a R$ 10 bilhões por ano em folha de pagamento, pois atuam neste meio diversos profissionais: engenharia civil, ambiental, mecânica de produção, técnicos em coleta e saneamento, biólogos, ecólogos, economistas, administradores, especialistas em logística, entre outros. No dia 17/05, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve em Belo Horizonte para falar do Programa Lixão Zero e assinou na frente do governador Romeu e do presidente da Federação da Indústria de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, um edital com R$100 milhões para aplicar em projetos elaborados por consórcios intermunicipais com a finalidade de acabar com os lixões, como é o caso de Ponte Nova. O município de Ponte Nova gera diariamente quase uma tonelada e meio de lixo. O Brasil gera, diariamente, cerca de 200 mil toneladas de resíduos sólidos. Deste montante, 35 mil toneladas terminam dispostas em lixões. Apesar de proibida, a prática ainda é comum - são mais de 2,7 mil lixões a céu aberto no País. Quem paga o preço do descarte inadequado é a saúde das populações mais vulneráveis. Para modificar o cenário, a alternativa é investir em novos modelos de manejo de resíduos. Com a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento Básico vai trazer sustentabilidade financeira aos investimentos, como a implantação de aterros sanitários ou usinas de geração de energia pelo sistema biológico sem a queima que gera o gás carbônico e ataca o ar. Instituída em 2010 no Brasil, a PNRS estabelece que os resíduos devem obrigatoriamente, passar por processos de tratamento antes da sua disposição final em aterros. A partir da legislação nasceu o termo rotas tecnológicas, abrindo uma gama de alternativas de formas de gestão de resíduos, desde a mais simples, onde há a separação da matéria orgânica dos materiais recicláveis e rejeitos, até as mais sofisticadas. Recentemente, há um enorme movimento entre as rotas tecnológicas focado na recuperação energética dos resíduos sólidos, chegando à geração de energia elétrica através a incineração ou do aproveitamento do biogás muito diferente da realidade nos lixões. Os aterros sanitários são obras de engenharia, submetidas a rigorosos procedimentos, desde licenciamentos ambientais, à operacionalidade, à fiscalização com rígidos controles ambientais e, finalmente, às exigências técnicas para seu encerramento”.   (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

31/05/2021– 10:53

O Estadão online, em editorial, comentou o pedido de afastamento de Jair Bolsonaro, protocolado no Supremo por 07 (sete juristas), segundo os quais é preciso reconhecer a incapacidade civil para exercer o cargo. “Os autores esclarecem que não se trata de julgamento por crime de responsabilidade ou crime comum, para os quais seria necessária autorização parlamentar. Apontam ainda que não se trata de uma interdição pela incapacidade de gerir atos da vida civil, mas especificamente da ‘interdição de um supremo mandatário que não tem os requisitos cognitivos mínimos’ para exercer a Presidência”, diz trecho do editorial do Estadão. Na ação civil, os juristas alegam que diante dos atos, omissões e do comportamento reiterado de Bolsonaro, o país se encontra diante de situação grave, que abala e frontalmente contraria os valores, princípios e regras estabelecidos pela Constituição, bem como a integridade e a dignidade, os deveres e responsabilidades atinentes ao cargo e à função de titular do Executivo. O texto explica que a situação grave levou a inúmeros pedidos para que a Câmara autorize o processo de impeachment perante o Senado. Contudo, nem a existência de representações, nem a referência a sua possibilidade têm gerado reação ou alteração na conduta do presidente. “Continua a dar mostra visível de incapacidade para realizar as atribuições que lhe impõe a Constituição, portanto de fazer executar os mandamentos estabelecidos pelo titular da soberania, o povo brasileiro, por meio de seus representantes, seja, constituintes, sejam legisladores, nas leis que regem o país. Essa incapacidade se apresenta no nível da razão, da experiência e da sensibilidade, três aspectos do ser humano que parecem estar ausentes naquele que ocupa tão importante cargo”, afirmam os juristas. Os juristas afirmam que Bolsonaro “faz pouco caso de cidadãos e cidadãs, não apenas em manifestações de ódio, desprezo e preconceito”, mas, sobretudo, deixa de implementar meios de realização de políticas públicas. Qualquer que seja o desfecho da ação protocolada no STF, o fato de que juristas se unem para apontar um caso de incapacidade mental e médicos para pedir o impedimento político sugere que é cada vez menos verossímil uma terceira hipótese para explicar a conduta desastrosa de Bolsonaro que contribuiu para as centenas de milhares de mortes no Brasil. A leitura dos documentos indica que “OU FOI LOUCURA OU FOI CRIME!”. Entre os signatários do pedido ao STF estão Alberto Zacharias Toron, Alfredo Attié Jr, Renato Janine Ribeiro, Roberto Romano da Silva, Roberto Romano da Silva, José Geraldo de Sousa Jr, Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari e Fábio Roberto Gaspar.   (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

24/05/2021– 14:22

Níve de desmatamento subiu assustadoramente em abril deste ano (2021) O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil terá um novo problema sério pela frente em razão da falta de chuvas. Em conversa com apoiadores na segunda-feira, 10 de maio, o chefe do Executivo disse prever nova dor de cabeça com a maior crise que temos notícia. “Estamos com um problema sério pela frente. Estamos vivendo a maior crise hidrológica da história. Eletricidade. Vai ter dor de cabeça. Um choque, né? Maior crise que temos notícia. Demos mais um azar”, disse. A Amazônia perdeu em abril 581 quilômetros quadrados de sua cobertura vegetal (43% acima dos valores desmatados em 2020), o maior índice de desmatamento no mês de abril desde 2016, quando foram destruídos 440 quilômetros quadrados, de acordo com medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A área devastada equivale a, aproximadamente, 69 estádios de futebol. Trata-se do segundo mês consecutivo de recordes históricos mensais, já que em março foram desmatados 368 quilômetros quadrados de floresta (12% a mais que em 2020). Os especialistas alertam de que há “uma tendência de alta muito preocupante”, tendo em vista a proximidade do período de seca, não só na Amazônia, mas também no Cerrado, que corresponde aos meses de inverno Depois de organizarem um movimento de pressão contra o governo brasileiro no ano passado, fundos de investimento estrangeiros afirmaram não terem visto avanços do país na defesa de uma pauta ambiental e na preservação da região amazônica. Com o mercado cada vez mais pressionado por investidores a considerar o tema na alocação de seus recursos, eles falam em um cenário de dificuldades para manter investimentos no Brasil. Exemplos de retirada de recursos começam a surgir. O Fundo Soberano da Noruega, o maior do mundo, excluiu no ano passado Eletrobras e Vale de seu portfólio e mencionou a necessidade de metas claras de redução de emissão de gás carbônico. Com a retirada de recursos do país, o fundo deixou claro que questões ambientais vieram para ficar na composição de métricas para aportes dos grandes fundos. Para especialistas, essa fonte de financiamento pode fazer falta para as empresas brasileiras. Em meio ao avanço da taxa de desmatamento da Amazônia, que atingiu seu maior patamar desde 2008, além da perda de 30% da área do Pantanal em queimadas, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) teve o menor valor alocado para investimentos em 21 anos. Parlamentares ligados ao tema classificam o cenário como caótico e tentaram revertê-lo na discussão do Orçamento da União deste ano, mas não conseguiram. (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

17/05/2021– 14:57

Plantando (2015) em companhia da menina Luara e o menino Pedro, na estrada de acesso à Fundação Menino Jesus (ao fundo as casas do Dalvo Bemfeito) Após horas de exaustivo trabalho de combate às chamas, que consumiram 90% da área de 30 hectares do Sítio Jaqueira, em Alegre, região do Caparaó, no Espírito Santo, Newton Campos, proprietário da área disse emocionado: “A cura do planeta é plantar árvores, cuidar de árvores e da floresta”. A tragédia, ocorrida em setembro de 2020, não abalou sua convicção na urgência de reflorestar o planeta e a alma dos seres humanos. “Agrofloresta é a saída. Não existe outra saída para a humanidade”. Agrofloresteiro, plantador de água, educador ambiental há 35 anos, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itapemirim desde seus primórdios e da Associação de Plantadores de Água (Plantágua), Newton Campos é referência na região e em todo o Estado no trabalho de recuperação de terra degrada e plantio de água por meio de agrofloresta, sendo convidado também em outros estados para palestrar e prestar consultoria sobre o assunto, trabalho feito também de forma online nesses últimos meses de pandemia. Em janeiro de 2014, tive a oportunidade de conhecer o Sítio Jaqueira a convite do engenheiro florestal Davi Sena, filho de Dominguinhos (Espaço Café-Ponte Nova), que se formou no campus avançado da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Alegre. O projeto de Newton Campos é algo formidável: planta água em barraginhas, cerca nascentes e constrói casas com tijolos jogados fora de casas derrubadas; a luz do sol atravessa as paredes através das garrafas de vidro, onde moram estudantes da UFES. Plantei milhares de árvores ao longo da minha vida, salvei várias que seriam cortadas por que levantavam passeios; semeei sementes que voam, como as dos ipês e aguei mudas de ararutas na horta do Passa-Cinco, mas nada se compara a este cara. Ele joga capoeira e faz versos sobre meio ambiente, com a rapidez de seus gestos, apesar dos anos de luta. Às vezes, com resultados e outros tantos, vendo a sanha dos predadores. Quando comecei a luta em defesa do meio ambiente, não raro, ouvia piadinhas como; “isto é coisa de viado; esse cara é contra o progresso”; “um idiota a mais para defender o que não precisa ser defendido”. Mais, tarde, a guerra foi mais dura: afastar as hidrelétricas do Rio Piranga no município de Ponte Nova. Conseguimos com legislação própria e ainda alcançamos vitórias em outros municípios, pois os empreendedores queriam construir várias e como não podiam construir em Ponte Nova desistiram das outras. Levei para Alegre, no Espírito Santo, as experiências acumuladas em Ponte Nova e na região do Vale do Rio Piranga. Falei para centenas de pessoas, a maioria produtores, gente humilde que me ensinou como se faz uma banana caramelada, com o próprio açúcar da fruta, que fica exposta ao sol durante uma semana numa caixa de vidro, sem a parte branca, que é raspada. Terminei minha palestra, que não passou de uma conversa, usando uma velha e surrada frase que criei: “somos loucos, mas não somos tão poucos. Somos loucos pelo meio ambiente”.

10/05/2021– 10:16

Em 1998, participei ativamente do debate sobre a municipalização de algumas escolas em Ponte Nova. A secretária municipal de Educação e Cultura (era Semec) era a professora Ester Maria Silva Guimarães. A discussão passou pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autarquias de Ponte Nova (Sindserp) que tinha na presidência Maria de Lourdes. Ele fazia parte da comissão como assessor do Sindserp junto com a professora Maria Conceição Coelho, que era tesoureira da entidade sindical. Depois de muitos debates ficou decidido que algumas escolhas, não só pela tradição mas pela capacidade administrativa deveriam permanecer com o Estado, o que foi acatado por ela Câmara Municipal e deixou de lado as escolas Carlos Trivellato, Senador Antônio Martins e Caetano Marinho, que naquela possuíam o Ensino Fundamental, que ia até a 8ª série. Houve debate e elas continuaram estaduais. Bem, a história volta a incomodar educadores 23 anos depois e aí tomei a liberdade de reproduzir o post do Facebook da professora e artista plástica Teresa Cristina, que é professora das escolas estaduais Carlos Trivellato e Senador Antônio Martins, além de militante da cultura e dos direitos humanos. Leiam abaixo “Diga #NÃO para a MUNICIPALIZAÇÃO do Ensino Fundamental! É um CRIME o que o governador Zema está fazendo, sem discutir com os gestores, com servidores, com as comunidades, justamente num momento tão caótico como o que estamos passando. Minas não investe o mínimo na saúde, nem na educação, nem na pesquisa, não dá a mínima para a população. Nem 10% dos mineiros tomaram ainda a segunda dose da vacina, mais de 32 mil óbitos pela COVID-19 e mais de 1 milhão de infectados, mas quando é para FERRAR COM O POVO, ELE CONSEGUE AGILIZAR! As consequências da MUNICIPALIZAÇÃO SERÃO DRÁSTICAS se realizada sem debater com a sociedade. Vamos cobrar dos vereadores que (nos representam) NÃO APROVEM mais este CRIME, é importante o DEBATE, cada caso é um caso! O momento agora não é propício para que se faça cumprir uma lei que já sabemos que está em atraso. Nada justifica a MUNICIPALIZAÇÃO neste exato momento! ”   (*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977

03/05/2021– 13:09

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