A Superintendência Regional de Saúde de Ponte Nova, por meio do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, realizou, no dia 31 de março, uma capacitação sobre notificações obrigatórias de violência e intoxicação exógena. Coordenado pela referência técnica do Nuvepi da SRS Ponte Nova, Karine Cardoso Miguel Barbosa, o encontro reuniu coordenadores de Vigilância Epidemiológica, profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), representantes de hospitais de referência no atendimento às vítimas de violência e referências técnicas municipais das causas externas.
A programação abordou diversos temas, entre eles: fluxo dos serviços credenciados para atendimento às violências; incentivo à realização de campanhas de mobilização social em datas de prevenção; capacitação sobre notificações da vigilância da violência; e ampliação das unidades notificadoras no Sistema de Informação de Agravos de Notificação.
Também foram discutidos o monitoramento quadrimestral de indicadores do Plano Estadual de Saúde (PES 2024–2027), relacionados aos campos de orientação sexual e identidade de gênero nas fichas de notificação de violência interpessoal ou autoprovocada, além do registro da doença falciforme (suspeita ou confirmada) como notificação compulsória no e-SUS Sinan.
Segundo Karine, o principal objetivo da capacitação foi incentivar os municípios a estruturarem protocolos e fluxos para efetivar a rede de enfrentamento à violência e garantir assistência às vítimas em diferentes tipos de ocorrência, como violência física, psicológica, sexual, financeira e negligência.“É preciso que os municípios tenham um fluxo definido, pactuado e publicizado, com encaminhamento adequado aos hospitais de referência, como o Hospital Nossa Senhora das Dores, em Ponte Nova, e o Hospital São Sebastião, em Viçosa”, destacou.
A enfermeira coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde/Núcleo de Higienização e Vigilância Epidemiológica (SCIRAS/NUHVE) do Hospital Nossa Senhora das Dores, Fernanda Maria Brandão, ressaltou a importância do encontro. “Foi uma oportunidade importante para reforçar que a violência é um problema relevante de saúde pública. A notificação é fundamental para dar visibilidade aos casos e orientar ações de prevenção e proteção das vítimas”, afirmou. Ela também observou redução nos atendimentos relacionados à violência em 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Para a coordenadora da Atenção Primária do município de Guaraciaba, Luana Arantes Miranda Gonzaga, a reunião foi uma estratégia eficaz em nível regional para padronizar práticas e qualificar o atendimento. “Sensibilizar os profissionais para identificação precoce, acolhimento, humanização e encaminhamento correto na rede de apoio é um dos pilares da APS, favorecendo a proteção institucional e humana”, destacou.
Já a coordenadora do Nuvepi da SRS Ponte Nova, Priscila Câmara de Moura, enfatizou a importância da integração entre os serviços. “A estruturação da rede de atenção às vítimas de violência, com integração entre Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária e serviços hospitalares, é essencial para qualificar o cuidado e garantir resposta oportuna. Esse alinhamento fortalece o cuidado integral, amplia o acesso aos serviços e assegura a continuidade do acompanhamento dessas vítimas”, concluiu.
Por Tarsis Murad