Na semana que se completam 5 anos da tragédia de Mariana, que matou 19 pessoas e afetou dezenas de comunidades rurais às margens dos rios Gualaxo do Norte, Carmo, Piranga e Doce, representantes da Fundação Renova e da secretaria municipal de Desenvolvimento Rural (Sedru) visitaram na manhã de 03/11, a comunidade rural de Simplício, que pertence ao Povoado Chopotó, zona rural de Ponte Nova.
A comunidade foi atingida pela lama da Barragem de Fundão (Mariana) em mais de 11 ha (onze hectares) afetando plantações, currais, paióis, córregos e nascentes que ficam na propriedade da família Dominiguite, descendente de italianos. Os vistoriantes vão promover cascalhamento e drenagem na estrada.
O final de semana nada foi nada benéfico para o meio ambiente: vândalos quebraram várias mudas de árvores nativas e frutíferas plantadas na margem do Rio Piranga, em frente à entrada do Bairro Primavera. O local era usado, anteriormente ao plantio, para descarte de lixo e restos de construção civil, conforme informações que obtivemos junto à secretaria municipal de Meio Ambiente.
O local, que fica na Rua João Alves de Oliveira, logradouro que dá acesso ao Bairro Rasa via Triângulo, é um anexo do terreno do Bairro Primavera, mas não foi liberado para construção por ser uma Área de Preservação Permanente (APP) a menos de 100 metros do Rio Piranga. “Vamos replantar, mas é uma tarefa ingrata, pois a população precisa tomar consciência que árvores são importantes para o equilíbrio ambiental e precisam ser protegidas e não destruídas”, afirma Bruno do Carmo, secretário de Meio Ambiente de Ponte Nova.
Na tarde de segunda-feira (26/ 10), Marcinho de Belim e Adelino Barbosa (Quiqui), presidente e diretor da AmaCopa (Associação Comunitária de Moradores de Copacabana e Adjacências), acompanhados do morador Maurício Ferreira (Maíta) estiveram no local do plantio de 100 mudas de árvores frutíferas e nativas para recuperar uma área de recarga de água. O local fica acima do Bairro Copacabana e faz divisa com o Bairro Nova Copacabana.
O plantio estava previsto para o domingo, 25/10, mas o tempo está chuvoso na parte da manhã e a execução do plantio transcorreu durante a semana, sempre sob a responsabilidade do diretor de esportes, Denyn Cleres Pereira, que preparou o terreno na semana anterior com a participação dos moradores Deco e Juninho, além de Nandico do Bairro Primeiro de Maio. O diretor da empresa Gaiolas Eldorado (que tem sede no bairro), Jairo Neves, contribuiu financeiramente para a contratação da mão de obra para a perfuração dos berçários (coveamento).
Estudos apontam Ponte Nova como sede para Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos (CTR), uma Usina Termoquímica de geração de energia elétrica, a partir do aproveitamento energético de resíduos sólidos urbanos pelo processo de Tecnologia de Gaseificação em Leito Fluidizado. “Essa tecnologia foi avaliada considerando os quantitativos do consórcio, perspectiva de Licenciamento Ambiental e restrições legais”, informa o CIMVALPI (Consórcio Intermunicipal e Multissetorial do Vale do Piranga).
Segundo a Fundação Gorceix, que elabora o Plano Regional de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), a capacidade de 300 toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia. Ponte Nova produz cerca de 40 toneladas e, sendo assim, todo o lixo da região será transportado para o município para ser levado para o local adquirido pela prefeitura municipal em 2010, na Fazenda Cachoeira, localidade rural a 05 (cinco) quilômetros do Bairro Rasa.
Ambientalistas se posicionam contrariamente à ideia, uma vez que é inconveniente trazer tanto lixo para Ponte Nova diariamente, gerando desconforto nas ruas, uma vez que a falta do Anel Rodoviário completo, muitos caminhões circularão nas ruas da cidade. “É preciso ouvir a comunidade da Rasa, a que será mais prejudicada. Que já se posicionou contrariamente em 2010 em Audiência Pública sobre o mesmo tema”, diz Ricardo Motta, que era presidente do Codema na época da audiência.
O Mobilizador Social da Cooperativa dos Recicladores de Ponte Nova, Sérgio Cotta, vê com preocupação a situação que poderá prejudicar a coleta seletiva. “Inicialmente, antes de ser membro oficial do GTA (Grupo de Trabalho Ambiental) eu me posicionei contrariamente. Estou lendo o PGRS para determinar minha posição final”, disse Sérgio.
(*) A Fundação Gorceix é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos, cujo objetivo básico é amparar o aluno carente da Escola de Minas de Ouro Preto. É uma entidade jurídica de direito privado, considerada de utilidade pública nos âmbitos federal, estadual e municipal. Destina-se a atividades de pesquisa científica, de assistência social, de educação, de cultura e de incentivo a atividades industriais da comunidade brasileira.
O Lixão de Ponte Nova recebe todo o lixo do município que poderá ter outro destino. UsinaTermoquímica é de alta tecnologia e tem preço alto
Uma gata e 09 (nove) cães resgatados após o rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, ainda esperam por novos lares. Todos os animais foram castrados, vermifu-gados e vacinados e estão sob os cuidados do programa de Assistência aos Animais da Fundação Renova em Mariana. Até agora, o programa viabilizou a adoção de 11 animais resgatados.
Dezoito bichos, entre cães e gatos estiveram em uma feira que será realizada no dia 23 de agosto deste ano em um shopping da capital mineira, onde alguns foram adotados. Eles foram resgatados em Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. Como os eventos de adoção e as visitas ao Centro de Acolhimento Temporário de Animais (Cata) estão suspensos devido à pandemia, o programa está atendendo os interessados à distância, além de oferecer o transporte do animal adotado até seu novo lar.
Para adotar, é preciso ser maior de idade e se responsabilizar pelo bem-estar e qualidade de vida dos pets. Pensando nessa sensibilização e conscientização, os interessados também receberão uma cartilha preparada pelo programa, com informações, dicas e curiosidade sobre os animais.
A possibilidade da não remoção do grande volume de rejeitos provenientes da barragem de Fundão (10 milhões de m³, de acordo com a Fundação Renova) existente no Lago da UHE Risoleta Neves (Candonga) sempre foi uma preocupação para os atingidos dos municípios de Santa Cruz do Escalvado e de Rio Doce.
A angústia aumentou após análise do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela Fundação Renova, quando o Centro Rosa Fortini e as Comissões de Atingidos de Santa Cruz do Escalvado, Ponte Nova (Chopotó e Simplício) e de Rio Doce concluíram que o objetivo da Renpva é retornar com a operação da UHE Risoleta Neves, retirando-se o mínimo de rejeito do Lago.
No EIA, a Renova descreve três cenários para remoção do rejeito do Lago. No Cenário 1, a remoção total; no Cenário 2, remoção parcial (volume de rejeito correspondente à capacidade total da Fazenda Floresta- terreno adquirido para empilhamento do material); e no Cenário 3, remoção apenas do rejeito presente nos primeiros 60 metros mais próximo da Hidrelétrica. Entre os cenários, a Fundação defende a realização do terceiro, alegando menor impacto ambiental e menor tempo para o retorno das condições de funcionamento para a UHE (2 anos).
O retorno operacional da UHE Candonga é desejo de todos, principalmente dos moradores do Território. O seu reservatório tornou-se, por 16 anos, uma área de lazer e turismo para a região. Hoje, com o acúmulo de rejeito, o Lago ficou inutilizável. Os atingidos também defendem o retorno da UHE devido aos royalties e impostos pela produção de energia (ICMS) que os municípios de Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce deixaram de receber durante os 05 (cinco) últimos anos.
Alexandro Willyam Fontes, leitor do Líder Notícias denunciou situação irregular em loteamento anexo ao Bairro Nova Almeida. Ele enviou diversas fotos mostrando a situação. “Um loteamento está abandonado há aproximadamente 03 (três) anos no final da Rua Armando Fajardo. Além de ter virado ponto de droga e motel a céu aberto, virou depósito de lixo e de resto de construção, proliferação de ratos e de foco de dengue.”, disse William.
O loteamento em questão começou a ser implantado em 2016, sem aprovação inicial do órgão ambiental. Devido a cortes irregulares que provocou deslizamentos de terra e lama em direção à Vila Oliveira. Os proprietários foram notificados e foram obrigados pelo Codema (Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente) a construir tapumes com placas metálicas e criar canais de dissipação de água.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) se manifestou pelo indeferimento das licenças ambientais requeridas para os empreendimentos Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Sete Cachoeiras e Ferradura, conforme decisão da Superintendência de Projetos Prioritários (Supri). O posicionamento do MPMG se deu após recurso da Tazem Participações S.A., em razão da decisão da superintendência, que indeferiu o requerimento de licença prévia para os empreendimentos, que têm instalação prevista no rio Santo Antônio, afluente do Rio Doce.
Para o MPMG, a inviabilidade dos projetos se dá especialmente em razão da necessidade de conservação da grande biodiversidade presente na bacia, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas e impossibilidade de compatibilização dos empreendimentos com essa conservação. Os empreendimentos atingem áreas consideradas como prioritárias para a conservação da espécie ameaçada andirá (Henochiluswheat-landii), peixe de água doce. Nota técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) encaminhada ao MPMG reforça a importância de proteção da ictiofauna da Bacia do Rio Santo Antônio, indicando, inclusive,que a melhor forma de garantira preservação dos habitats das espécies existentes do local seria por meio da designação de uma unidade de conservação.
Hidrelétricas são proibidas no Rio Piranga
Particularmente na bacia do Rio Doce, incluindo o Rio Piranga que passa em Ponte Nova, ocorrem pelo menos 71 espécies nativas e 28 exóticas, sendo que, entre as espécies nativas, 09 são listadas como ameaçadas de extinção.
Entre os peixes ameaçados de extinção no Piranga é o urubim-do-doce (veja a gráfico da Folha de S.Paulo), que foi usado como argumento para criar uma lei que impede construção de hidrelétricas (com barragem) em Ponte Nova.
A Lei nº 3.224 de 2008 estabelece que a instalação de usinas hidrelétricas na região deverá atender à tecnologiamenos impactante e determina que a melhor alternativa será sempre a que for aprovada pelo município. Já a lei nº 3225, do mesmo ano, declara toda a extensão o trecho do Rio Piranga, que corta o município como monumento natural, protegido pela legislação ambiental. Com isso, a lei veda a construção de hidrelétricas nessa área.
A Procuradoria Geral da República (PGR), em 2010,encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer pelo não provimento da arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) nº 218.A ADPF foi requerida pela presidente da República (Dilma Rousseff) para a impugnação de artigos das Leis nº 3.224/2008 e 3.225/2008, do município de Ponte Nova (MG), que trazem requisitos para o licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas e o reconhecimento de unidades de conservação ambiental na região. O relator é o ministro Gilmar Mendes.
A secretaria municipal de Meio Ambiente (Semam) realizará em parceria com a Associação Comunitária de Moradores e Amigos do Bairro Copacabana (AMACOPA) limpeza e retirada de árvores caídas ou cortadas ilegalmente em um trecho da margem direita do Rio Piranga, atrás das casas do local. A parceria foi firmada em 09/10, quando o titular da Semam, Bruno do Carmo, esteve no local fazendo uma vistoria em companhia do presidente da AMACOPA, Marcinho de Belim e de Ricardo Motta, editor do Líder Notícias e Relações Públicas informal da entidade.
Na mesma tarde de sexta-feira, 09/10, o secretário enviou para o local 30 m² (trinta metros quadrados) de grama para melhorar o aspecto de uma área onde existem 02 (dois) ipês e 01 (pé) de mexerica, mas receberá outras frutíferas. Nesta semana, começaram as perfurações dos berçários para receber 100 mudas de árvores nativas em uma encosta na entrada do bairro que recebeu aceiros para evitar queimadas.
A Semam (secretaria municipal de Meio Ambiente) dá os primeiros passos para implantar o programa Bolsa Verde, já aprovado pela Câmara Municipal, e que prevê proteção de nascentes, construção de barraginhas, implantação de matas ciliares, prevenção contra erosões e assoreamentos. Os produtores rurais de Ponte Nova que aderirem ao programa que visa melhorar o nível de produção de água receberão incentivos fiscais.
Na manhã de 14/10, aconteceu na sede da Semam (Avenida Mário Martins de Freitas, 401) reunião do secretário de Meio Ambiente, Bruno do Carmo e as técnicas Marina Oliveira, Carla Gonçalves e Isadora Oliveira, com o secretário de Meio Ambiente de Extrema, cidade da região Sudeste de Minas Gerais, Paulo Henrique Pereira.
A reunião teve como objetivo conhecer o projeto Conservador das Águas de Extrema criado em 2005, considerado um dos projetos ambientais mais premiados do Brasil. O foco principal é o reflorestamento dos topos de morro que após ter a sua mata recuperada desempenha o papel de infiltrar a água das chuvas no solo, alimentando o lençol freático, esta água armazenada no subsolo é liberada aos poucos pelas nascentes durante a época de estiagem.
“O projeto Conservador de Águas já plantou mais 02 (dois) milhões de árvores e protege mais de 500 nascentes”, disse Paulo Henrique, que também é presidente do Codema (Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente). Bruno do Carmo disse que a reunião serviu para obter dados e ter contato direto com projeto de Extrema ”que pode servir de base para implantação do Bolsa Verde programa municipal de compensação por serviços ambientais produtores de água”.
Extrema plantou mais de dois milhões de árvores em 15 anos
A Aecom Engenharia, empresa americana com filial no Brasil, enviou peritos para avaliação de danos causados em casas de Santa do Deserto, município de Rio Doce. Os trabalhos foram iniciados na última semana da de setembro por determinação da 12ª Vara de Justiça Federal (BH). Os trabalhos de perícia também ocorrerão em casas na sede de Rio Doce.
Depois, os peritos atuarão em comunidades de Barra do Piranga; Jerônimo; Merengo; Novo Soberbo; Pedra do Escalvado; Porto Plácido e Viana, todas pertencentes ao município de Santa Cruz do Escalvado. Todas as casas apresentaram danos com o aumento do trânsito de máquinas e caminhões pesados nas comunidades.
Em Santana do Deserto, 06 (seis) famílias estão em moradias provisórias há pelo menos 10 meses. Devido às diversas vistorias realizadas nos imóveis da comunidade, sem continuidade dos trabalhos e sem retorno de informações por parte da Fundação Renova, os moradores de Santana do Deserto demonstraram descrédito e desgaste por ter que descrever várias vezes a mesma situação.
As perícias estão sendo realizadas por equipe da Aecom (composta por um arquiteto, um engenheiro e um profissional da área de diálogo), e acompanhadas por auditores das mineradoras (Ética Serviços de Engenharia Ltda e Vaz de Mello), da Fundação Renova e do Centro Rosa Fortini (Marina Lima: engenheira ambiental; Mariele de Carvalho: técnica em edificações; Acácia Cruz Santos: assistente social; Luíza Vitral: psicóloga).
Um enorme deslizamento de terra no final da Rua Pedro Nunes Pinheiro, na Vila Oliveira, na manhã de quinta-feira (08/10), impediu o trânsito de carros, isolando 02 (duas) residências, com seus ocupantes sendo aconselhados pela Defesa Civil, técnicos das secretarias de Obras e de Assistência Social e Habitação a desocuparam as casas até posterior solução. O desaterro era clandestino e mostra a falta de fiscalização, fato muito criticado pelos moradores da rua.