Na semana anterior à decisão que levou 07 (sete) participantes da tentativa de Golpe de Estado, incluindo o líder Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República Democrática do Brasil, a cumprir cadeia, estive peregrinando com meu amigo e novo cristão ambientalista, Marcinho de Belim, pelas margens do Rio Piranga.
Fomos até Guaraciaba, no dia 20 de novembro de 2025, Dia Nacional da Consciência Negra. Neste dia houve celebração do início dos 30 anos da luta contra a implantação da Usina Hidrelétrica de Pilar. O mesmo grupo encarou a luta contra a implantação da PCH Jurumirim, que seria construída na Cachoeira Grande. Na concelebração da missa realizada por voltas das 14h30min, no Centro de Apoio (antiga escola de ensino de Casa Nova), em Guaraciaba, o padre José Geraldo disse que a luta tinha que continuar, o perigo ainda ronda o Rio Piranga e suas populações ribeirinhas. A ameaça de empreendedores barragistas continua latente. Em meu pronunciamento, durante a Homilia, eu disse que o Dragão da Maldade, citado pelo padre José Geraldo, se manifestou em maio deste ano (2025), quando os ministros do Superior Tribunal Federal (STF) derrubaram as leis de Ponte Nova que proibiam a construção de barragens no Rio Piranga.
O fato gerou indignação por parte dos ambientalistas, pois a decisão veio 17 anos depois da criação das leis (2008). Isto mesmo, o relator da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), ministro Gilmar Mendes, só liberou a votação em maio deste ano. Imagina só: um ministro demora 16 anos para relatar um processo?
A ADPF foi impetrada pelo presidente Lula, em 2009, mas com decisão contrária do Procurador Geral da República (PGR), que defendeu a constitucionalidade das leis ponte-novenses. O Dragão Maldade, travestido de STF, quer a destruição do Rio Piranga. Sentados em suas confortáveis poltronas em Brasílias, os senhores da legislação não levaram em conta a destruição provocada por hidrelétricas.
Em nossa peregrinação de 20 de novembro (eu e Marcinho de Belim), que falou sobre os 30 anos da luta contra Pilar na reunião de segunda feira, 24 de novembro de 2025, percorremos cerca de 90 quilômetros iniciados pela MG-262, entramos no Pimenta, passamos pela Chácara e Vau Grande (Ponte Nova) e seguimos por Bom Jardim e Pilar (onde seria barrado o Rio Piranga), já em Guaraciaba.
Seguimos até Casa Nova, Cachoeira, Ponte de Jurumirim, Laje da Pirapora, Fazendas da Fartura e da Caatinga (foi derrubada e construíram uma modernosa), Três Tiros, Brito, Córrego da Paciência (Vila Nova), fazendas Casa Branca e do Engenho. Chegamos em Copacabana, quase 7 (sete) da noite. Foi um dia para não esquecer jamais. Vamos continuar na luta contra a implantação de hidrelétricas no Rio Piranga.
Esta fotografia foi tirada pela produção da Atlântico Filmes/Impulso Filmes, responsável pelo documentário Piranga, o Herói Taciturno, em 2021.