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Uma tragédia que continuam atormentando vidas e o meio ambiente

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No mesmo dia do rompimento, em 05 de novembro de 2015, a onda de rejeitos de minério de ferro desceu pelo Vale do Rio Gualaxo do Norte e alcançou o Rio do Carmo perto de Barra Longa. Agora, o rejeito era transportado pelo lendário Rio do Carmo, atrativo de garimpeiros e cobiça da Coroa Portuguesa: custou as vidas dos heróis Tiradentes e Felipe dos Santos.

A água marrom escura chegou no encontro com o Rio Piranga, empurrou suas águas por cerca de dois quilômetros, além de poluir todo o estuário dos três rios: Piranga, Carmo e Doce.  A partir desse ponto, a lama seguiu o leito do Rio Doce, percorrendo mais de 600 quilômetros por Minas Gerais e Espírito Santo até chegar ao Oceano Atlântico.

Membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piranga (CBH-Piranga) chegaram a se reunir para discutir os reflexos e impactos do desastre na região. Hoje, quando se completam 10 anos da maior tragédia ambiental e humana do Brasil, o presidente do CBH Piranga, Carlos Cadu Eduardo Silva, comentou que a Bacia do Rio Doce vive um processo de lentidão na recuperação e desigualdade no reconhecimento da tragédia.

“Após dez anos de rompimento da Barragem de Fundão em Mariana, a situação é marcada pela lentidão da reparação e a desigualdade do reconhecimento e indenizações das vítimas e permanência dos impactos sociais e ambientais”, disse o inconformado ambientalista Cadu, ponte-novense que tem origens familiares no Distrito Vau Açu.

Poucos sabiam e muitos ainda não sabem, que a lama da Samarco atingiu trecho de Ponte Nova, na localidade rural denominada Simplício, no território do Povoado Chopotó, arrasando plantações e entupindo córregos que desaguavam no Rio do Carmo. Em Simplício moram descendentes de italianos (Dominiguitte), na divisa com a comunidade rural Apaga Fogo (Barra Longa).

Esta informação foi repassada na ocasião por relatórios que elaboramos (eu e Alfredo Padovani), quando vistoriamos os locais atingidos em 11 de novembro de 2015, 06 (seis) dias após o desastre provocado por rompimento da Barragem de Fundão.  Os municípios de Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce foram duramente afetados, com destruição das matas ciliares dos rios do Carmo e do Rio Doce e consequente afetação do lençol freático por metais pesados.

Eu me encontrei com o PhD (doutor) em Peixes da UFV, o professor e ambientalista (chileno) Jorge Dergam, na ponte sobre o Rio Doce, na divisa dos municípios de Santa Cruz do Escalvado e Rio Doce, cinco dias depois da tragédia que destruiu o ecossistema e avariou profundamente o lençol freático de cerca de 40 km, entre Minas e Espírito Santos. O registro fotográfico deste artigo é de Alfredo Padovani.

“O Rio Piranga será o fornecedor de vida para o Doce”, destacou na ocasião Jorge Dergam. Ele afirmava que algumas medidas deveriam ser tomadas para auxiliar na recuperação do rio, como o controle da pesca predatória, a melhoria da qualidade da água, a recuperação de nascentes e matas ciliares, a realização de estudos de fauna e peixes e a elaboração de programas de educação ambiental. “A gente tem o direito, garantido pela constituição, de termos um ambiente ecologicamente estruturado”, salientou. Jorge Dergam.

 

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