No mês outubro, exatamente no dia 06, participei de uma Roda de Conversa no IFMG na Semana Nacional de Ciências & Tecnologia, com intermediação do professor Edson. Neste ano, o tema foi Planeta Água: cultura oceânica e mudanças climáticas. Com o chefe do setor de Patrimônio da secretaria municipal de Cultura e Patrimônio, Matheus Oliveira, mostramos a história e a importância do Rio Piranga.
Aproveitei o momento para criticar o ex-prefeito Wagner Mol Guimarães sobre sua inércia em combater o garimpo no Rio Piranga. Ele ainda disse que o garimpo era legal e que o mercúrio não faz mal. Mas, com isso ele ganhou um presente: é o novo Superintendente Regional de Saúde.
O Rio Piranga clama por socorro! Um SOS silencioso que tem tremendo poder de vulcão, mas as pessoas poderosas, aquelas que dormem em triplex, ou nos sítios apiscinados, estão pouco se lixando. Os facínoras do passado inventaram “passar a boiada” e Ponte Nova aderiu ao aprovar a lei que reduz as Áreas de Preservação Permanente, para encaixotar as águas vermelhas do Rio Piranga e produzir enchentes vigorosas e destruidoras! Alguém cantou, não sei se foi Zezito, na varanda da Escola Percepção Musical, ou busca Valença, nordestino da seca e sol da caatinga, 45 graus!: “Jequitinhonha terra de gente que sonha!”.
Aprendi “com o vento: vadiar pelo espaço”. Mas, e o Rio Piranga? Serpenteia pelas barrancas e lajedos, desde Ressaquinha, mas não voa e nem sonha! Apenas espera resistente e barulhento nas curvas. Mas, o cruel, sanguinário e abominável destruidor chega na calada da noite, invade sua casa, destrói seu jardim, mata seu cachorro e polui as águas.
A terra sangra diariamente e o Rio Piranga vagueia sem poder controlar a sanha incansável dos dólares manchados de óleo e mercúrio. Pássaros e maritacas de asas coloridas vão voar sobre as gargantas e curvas da alma do Rio Piranga. Ouça os passos da alma do rio que busca em você um protetor e não um predador. Deixe os peixes nadar em paz na Piracema.
Deixe lambaris e bagres mergulharem no mais fundo da alma da Rio Piranga. Não faça da vida a mortalha que te levará para o além, sem água! Ou poluí da pela sua mente suja! Gente do Vale do Rio Piranga é gente que tem no rio o riso da alma que sangra! Mesmo na tristeza e na seca, o pobre vergastado pelo sol inclemente do Vale do Jequitinhonha é gente que sonha! Pirangueiros, Pira quaras e Guárapes salvem o Rio Piranga. É tempo do Rio das Águas Vermelhas!
(*) Ricardo Motta é jornalista, escritor e poeta. Ambientalista desde 1977