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Gente do Rio Piranga é gente que tem no rio o riso da alma que sangra

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Este artigo eu escrevi há muito tempo, mas está valendo a imaginação nos tempos de hoje: “O Rio Piranga clama por socorro. Um SOS silencioso que tem tremendo poder de vulcão, mas as pessoas poderosas, aquelas que dormem em triplex, ou nos sítios apiscinados, estão pouco se lixando.

Os facínoras do passado inventaram “passar a boiada” e Ponte Nova aderiu ao aprovar a lei que reduz as Áreas de Preservação Permanente, para encaixotar as águas vermelhas do Rio Piranga e produzir enchentes vigorosas e destruidoras!

Alguém cantou, não sei se foi Zezito na varanda da Escola Percepção Musical ou Bubusca Valença, nordestino da seca e sol da caatinga, 45 graus: “Jequitinhonha terra de gente que sonha. Aprendi “com o vento: vadiar pelo espaço”. Mas, e o Rio Piranga? Serpenteia pelas barrancas e lajedos, desde Ressaquinha, mas não voa e nem sonha. Apenas espera resistente e barulhento nas curvas.

Mas, o cruel, sanguinário e abominável destruidor chega na calada da noite, invade sua casa, destrói seu jardim, mata seu cachorro e polui as águas. A terra sangra diariamente e o Rio Piranga vagueia sem poder controlar a sanha incansável dos dólares manchados de óleo e mercúrio.

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