A Prefeitura de Ipatinga apresentou nesta terça-feira (3), durante reunião conjunta do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT) e do Conselho da Cidade, os resultados dos estudos técnicos que fundamentam a elaboração do Plano Municipal de Mobilidade Urbana (PlanMob). O trabalho foi desenvolvido pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e reúne diagnósticos, diretrizes e propostas que irão orientar o planejamento da mobilidade urbana do município até o ano de 2035.
O encontro foi realizado no Auditório do Hospital Municipal Eliane Martins e contou com a participação de representantes do poder público, conselheiros municipais, membros da sociedade civil, integrantes do grupo de acompanhamento do plano e representantes do Poder Legislativo. A reunião marcou mais uma etapa do processo participativo que vem sendo conduzido para a construção do documento.
Elaborado a partir de levantamentos de campo, modelagens de tráfego, análises urbanísticas e consultas à população, o PlanMob tem como objetivo identificar os principais desafios da mobilidade urbana em Ipatinga e definir estratégias para promover um crescimento mais sustentável nas próximas décadas.
O diagnóstico apresentado aponta problemas históricos que impactam diretamente a qualidade de vida da população, como a forte dependência do transporte individual, congestionamentos em corredores estratégicos, conflitos entre o tráfego urbano e o transporte de cargas, além de dificuldades relacionadas à acessibilidade em calçadas e espaços públicos.
Segundo os estudos, os automóveis ocupam atualmente grande parte do espaço viário, apesar de transportarem uma parcela menor da população. Em contrapartida, o transporte coletivo e os modos ativos de deslocamento, como caminhada e bicicleta, ainda enfrentam limitações estruturais. Caso não sejam implementadas intervenções, a projeção é de aumento dos congestionamentos e dos tempos de deslocamento nos próximos anos.
Para enfrentar esse cenário, o plano propõe uma visão estratégica para 2035 baseada em quatro pilares principais: acessibilidade universal, fortalecimento do transporte coletivo, incentivo aos modos ativos de deslocamento e sustentabilidade ambiental.
Entre as ações estruturantes sugeridas estão a implantação de novos terminais de integração do transporte público, a reestruturação da rede de ônibus, a ampliação da fiscalização eletrônica, a revitalização da sinalização horizontal e vertical, a qualificação das calçadas, a expansão da infraestrutura cicloviária e melhorias na gestão da circulação de veículos.
O estudo também incorpora o conceito internacional conhecido como “Visão Zero”, política voltada à redução de acidentes de trânsito por meio da requalificação de cruzamentos, implantação de dispositivos de segurança viária e adequação dos espaços urbanos para pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência.
Outro eixo estratégico destacado é a modernização da gestão da mobilidade urbana. A proposta prevê a integração das políticas de transporte e trânsito em uma estrutura administrativa mais eficiente, fortalecendo o planejamento, a fiscalização e a execução das ações previstas. O secretário municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Reginaldo Donizete Soares, ressaltou a importância da conclusão desta fase técnica para o futuro da cidade.
“Estamos apresentando à sociedade os resultados dos estudos desenvolvidos para a construção do Plano Municipal de Mobilidade Urbana. Trata-se de um trabalho técnico, elaborado com base em diagnósticos detalhados e participação social, que servirá de referência para as próximas etapas do processo e para o planejamento da mobilidade em Ipatinga”, afirmou.
Além de orientar ações de curto, médio e longo prazo, o PlanMob atende às exigências da Política Nacional de Mobilidade Urbana e fortalece a capacidade do município para captar recursos destinados a obras e projetos estruturantes.
A minuta do projeto de lei que instituirá oficialmente o Plano Municipal de Mobilidade Urbana está em fase final de ajustes técnicos e jurídicos. Após essa etapa, o documento será disponibilizado para consulta pública e posteriormente encaminhado à Câmara Municipal para análise e votação.
Entre os indicadores previstos para acompanhamento do plano estão a velocidade operacional do transporte coletivo, os índices de segurança viária e a participação dos deslocamentos realizados por meios ativos, como caminhada e bicicleta. A expectativa da administração municipal é consolidar um instrumento de planejamento capaz de orientar futuras políticas públicas voltadas à mobilidade urbana, à inclusão social e à melhoria da qualidade de vida da população de Ipatinga.