A tradicional Semana do Fazendeiro, realizada no campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV), vai muito além da oferta de cursos e oficinas. Na 95ª edição do evento, iniciada no último final de semana, o impacto sobre a economia local já é visível: mais de 25 mil carros circularam pelo campus, movimentando hotéis, restaurantes, bares e o comércio de Viçosa. Todos os anos, milhares de visitantes, de diferentes cidades, marcam presença não só para participar dos mais de 350 cursos oferecidos, mas também para aproveitar a atmosfera do evento, que se tornou uma tradição regional. Esse fluxo intenso de pessoas transforma a Semana do Fazendeiro em uma vitrine estratégica para empreendedores locais e regionais.
Com mais de 150 expositores, os estandes apresentam uma enorme variedade de produtos, que vão desde tratores de R$ 320 mil até vasos de suculentas de R$ 10. Mesmo que muitas vendas se concretizem após o evento, é durante a Semana que os negócios começam a ser construídos, como explica Vinícius Caneshi, representante de uma loja de máquinas agrícolas de Muriaé.“Estar no evento é uma estratégia de negócios para atingir um público que nem sempre teria acesso às novidades que chegam à empresa todos os anos”, diz.
A tecnologia também é destaque. O empresário Vinícius Fialho, de Viçosa, vende drones agrícolas com preços que variam de R$ 3 mil a R$ 280 mil. Ele acredita que a exposição ao vivo da tecnologia é fundamental para conquistar novos clientes.“O negócio pode até se concretizar depois, mas começa aqui, na exposição e na troca de ideias com os produtores”, afirma. Quem também vê o evento como vitrine é a empreendedora Claudecy Coke, dona de um orquidário na cidade. Durante a Semana, ela realiza boas vendas, mas destaca a importância da visibilidade:
“Aqui eu sou vista para ser lembrada depois. Ao longo do ano, as pessoas que me conheceram aqui voltam para comprar, encomendar e recomendar.” Esse é também o caso de Vanessa Fialho, que comercializa suculentas, e da artesã Darlene Fialho, que participou pela primeira vez e já colheu frutos:“Em dois dias, vendi mais do que em um mês de trabalho. Além disso, divulguei meu Instagram e ganhei muitos seguidores”, conta. A lógica se repete com outros empreendedores, como Leandro Vieira, dono de uma loja de móveis rústicos em Viçosa. Para ele, o mais importante é deixar sua marca na memória do público:
“A referência fica na memória das pessoas, e isso dura.”A maioria dos expositores é formada por artesãos de várias partes de Minas Gerais. Muitos deles se associam para dividir os custos e ampliar o alcance. A Associação de Artesãos de Viçosa, por exemplo, começou assim. Hoje, conta com sete estandes no evento. “Aqui divulgamos também nossa feira semanal e nossas redes sociais. É assim que ampliamos nossa visibilidade”, explica Josemeire Carvalho, presidente da associação.O alcance da Semana do Fazendeiro ultrapassa as fronteiras da cidade. A comerciante Dayse Povh, por exemplo, percorre mais de 1.200 km todos os anos para vender casacos de couro no evento.
“Estar na Semana do Fazendeiro sempre vale a pena”, garante. Com um público fiel, diversidade de expositores e oportunidades reais de negócios, a Semana do Fazendeiro se confirma não só como o maior evento de extensão da UFV, mas também como um importante motor de empreendedorismo e desenvolvimento regional.