Uma nova espécie de fungo parasita de aranhas foi descoberta em áreas de floresta dentro do campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e descrita na revista científica British Mycological Society, por meio do periódico Fungal Biology. A espécie recebeu o nome de Gibellula mineira e pertence a um grupo conhecido por infectar aranhas e manipular seu comportamento, transformando os hospedeiros em verdadeiros “zumbis”.
A descoberta ocorreu na Mata da Biologia e no Recanto das Cigarras, fragmentos de floresta localizados no campus de Viçosa. A pesquisa foi conduzida por integrantes do Laboratório de Ecologia e Comportamento (Labecom), durante o mestrado da estudante Aline dos Santos, com orientação da pesquisadora Thairine Mendes Pereira e do professor Thiago Gechel Kloss.
As coletas começaram em 2024 e o processo de confirmação como nova espécie levou mais de um ano, com análises morfológicas e genéticas comparadas a outros fungos do mesmo grupo. O estudo também investigou a interação do fungo com a aranha Iguarima censoria, encontrada nas áreas florestais do campus. Os resultados mostraram que cerca de 25% das aranhas estavam infectadas. Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi que indivíduos menores apresentaram maior probabilidade de parasitismo.
Segundo os autores, a descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade da Mata Atlântica e sobre a interação entre fungos parasitas e aranhas em florestas tropicais. O estudo também demonstra que fragmentos de vegetação dentro de áreas urbanas ainda podem revelar novas espécies para a ciência. O artigo científico, intitulado “The silent hunters of spiders: discovering a new Gibellula (Ascomycota: Cordycipitaceae) fungus in the Brazilian Atlantic forest”, detalha a descrição morfológica, análise filogenética e os impactos da nova espécie no ecossistema.
