Diagnóstico sobre uso de drogas e população de rua foi apresentado na Câmara
Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa (UFV) revelou que 50% dos entrevistados afirmaram ter visto pessoas usando ou vendendo drogas nos últimos 12 meses em Viçosa. Os dados foram apresentados durante a reunião ordinária da Câmara Municipal nesta segunda-feira (3), atendendo a um requerimento do vereador Sérgio Marota (PP), vice-presidente da Casa.
O levantamento faz parte das ações do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad) e integra também o diagnóstico local sobre pessoas em situação de rua, desenvolvido em parceria com a UFV.
A presidente do Comad, Patrícia de Fátima Pinto, destacou que o conselho tem buscado fortalecer a articulação da rede de atendimento no município, com foco na prevenção, tratamento e reinserção social de pessoas afetadas pelo uso de drogas. Segundo ela, o órgão realizou audiências públicas, seminários, capacitações e reuniões com secretarias municipais e estaduais, além de garantir a representação de Viçosa no Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas de Minas Gerais.
“A proposta do Comad é trabalhar com base em conhecimento científico e diagnóstico, para traçar ações dentro da política pública do município. Estamos estruturando um trabalho sólido, que demanda tempo, mas já traz resultados concretos”, afirmou Patrícia.
O estudo foi apresentado pelo professor Antônio Carlos Miranda, do Departamento de Ciências Sociais da UFV, que coordenou a pesquisa em parceria com o professor Marcelo Ottoni Durante.
Segundo Miranda, o álcool permanece como a substância mais consumida em Viçosa e também a principal porta de entrada para outras drogas.
Ele ressaltou a ligação entre dependência química e criminalidade, defendendo maior integração entre as políticas públicas.
“O que falta não é dinheiro nem programas, mas articulação entre os atores da rede. A gente não está resolvendo o problema, estamos apagando incêndios. E pelo menos ainda estamos apagando fogo”, afirmou o professor.
O levantamento também identificou que, no período da pesquisa, 20 pessoas estavam em situação de rua em Viçosa, sendo que três viviam permanentemente nas ruas. Entre os fatores mais comuns que levaram a essa condição estão conflitos familiares, perda de emprego, dependência química e falta de esperança.
De acordo com o estudo, muitos entrevistados relataram sentir-se invisíveis e sem valor, além de não possuírem documentos ou apoio familiar.
Entre as medidas sugeridas estão:
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Criação de um sistema de gestão e coleta de dados sobre a população em situação de rua;
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Definição clara de responsabilidades entre os órgãos da rede de apoio;
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Fortalecimento do Comad como instância de monitoramento e acompanhamento das ações municipais.
Ao encerrar a apresentação, o vereador Sérgio Marota agradeceu ao conselho e à universidade pela parceria:
“Vocês estão aqui acreditando no conselho, sem repasse financeiro, movidos pela vontade de fazer diferença. Isso mostra o compromisso com a dignidade e a cidadania da nossa população.”
Fonte: Câmara de Viçosa