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Estudo da UFV aponta impactos na reprodução de peixes no Rio Doce 10 anos após desastre de Mariana

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Dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) identificou sinais de comprometimento reprodutivo em peixes nativos da Bacia do Rio Doce. Ao mesmo tempo, espécies não nativas apresentam condições favoráveis para reprodução e estabelecimento no baixo Rio Doce. O rompimento ocorrido em 2015 provocou a passagem de rejeitos por cerca de 660 quilômetros, afetando ecossistemas aquáticos e terrestres da bacia. Desde então, pesquisadores acompanham a biodiversidade da região para avaliar os impactos e subsidiar ações de reparação e conservação.

A pesquisa da UFV utilizou dados coletados desde 2018 pelo Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA) da Bacia do Rio Doce. A análise considerou diferentes espécies de peixes e avaliou aspectos como reprodução, alterações microscópicas nos órgãos reprodutivos e desenvolvimento do sistema nervoso de larvas. Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que o Rio Doce permanece biologicamente ativo e apresenta reprodução de peixes, mas ainda não retornou às condições anteriores ao desastre.

Entre os principais sinais identificados estão:

Maior atividade reprodutiva de espécies não nativas, tanto na calha principal quanto nos afluentes;

Alterações microscópicas nos órgãos reprodutivos de diferentes espécies;

Malformações no desenvolvimento do sistema nervoso de larvas.

De acordo com a equipe, a presença e expansão de espécies não nativas pode aumentar a competição por recursos, a predação de peixes nativos e provocar mudanças na cadeia alimentar. A longo prazo, esse processo pode afetar a biodiversidade e os recursos pesqueiros utilizados por comunidades que dependem do Rio Doce. O artigo foi publicado na revista científica internacional Anatomia, Histologia, Embryologia e tem como principais autores a professora Elisabeth Henschel, do Departamento de Biologia Animal da UFV, e o pesquisador Lucas Marcon, que realizou estágio pós-doutoral na universidade.

Os dados fazem parte do PMBA, programa que reúne pesquisadores, técnicos e estudantes de diferentes instituições e acompanha, em longo prazo, as condições dos ambientes aquáticos atingidos. A pesquisa foi financiada pela Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest/Ufes).

UFV
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