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Estudo com participação de pesquisadoras da UFV alerta para ameaças às terras indígenas da Amazônia

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Um artigo científico publicado nesta semana na revista Nature Sustainability reúne pesquisadores brasileiros e internacionais, além do líder indígena Beto Marubo, para alertar sobre o avanço das ameaças socioambientais às terras indígenas da Amazônia. O estudo destaca a situação do Vale do Javari, no oeste do Amazonas, região que concentra a maior população conhecida de povos indígenas em isolamento voluntário do mundo.

Entre os coautores estão a professora Hewlley Acioli Imbuzeiro, do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia Aplicada da Universidade Federal de Viçosa (UFV), e Erin Koster, doutoranda da University of South Alabama (EUA), que atualmente realiza estágio como pesquisadora visitante no Grupo de Pesquisa em Micrometeorologia (Micromet/DEA/UFV).

O trabalho aponta que o enfraquecimento da fiscalização e mudanças nas políticas de proteção ambiental, aliados à expansão da mineração, da exploração ilegal de madeira, da pesca predatória e do tráfico de animais silvestres, colocam em risco a integridade dos povos indígenas e seus modos de vida.

Segundo os autores, apesar dessas pressões, as terras indígenas desempenham papel fundamental na conservação da biodiversidade e na manutenção de importantes serviços ecossistêmicos. Para a professora Hewlley, o Vale do Javari possui relevância internacional por reunir conhecimentos ancestrais e áreas de floresta ainda pouco conhecidas, além de estar localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, o que aumenta a necessidade de cooperação entre os países para garantir sua proteção.

A pesquisa também revela que a cobertura florestal permaneceu relativamente preservada dentro da Terra Indígena Vale do Javari, enquanto o desmatamento avançou significativamente em seu entorno. Em 2022, a perda de vegetação na área de até 200 quilômetros ao redor da terra indígena foi cerca de 187,5 vezes maior do que a registrada dentro do território protegido. Em termos proporcionais, dados do MapBiomas mostram que a taxa média anual de desmatamento foi 33,4 vezes maior na área do entorno.

Diante desse cenário, os pesquisadores defendem que as zonas de amortecimento, atualmente previstas para unidades de conservação, também sejam aplicadas às terras indígenas, com o objetivo de limitar atividades humanas nas áreas vizinhas e reduzir os impactos provocados por invasões e crimes ambientais.

O artigo ainda ressalta que a criação dessas áreas de proteção deve ser acompanhada pelo fortalecimento da fiscalização e pelo combate à ocupação irregular de terras públicas, especialmente nas proximidades das terras indígenas. Para os autores, essa medida é essencial para proteger, sobretudo, os povos em isolamento voluntário, que possuem maior dificuldade para denunciar invasões e outras ameaças.

Além das contribuições científicas, a professora Hewlley destaca que a pesquisa evidencia a importância da internacionalização da UFV e das parcerias acadêmicas desenvolvidas pela instituição. Segundo ela, a participação da doutoranda Erin Koster na universidade é resultado desse processo de cooperação internacional, fortalecendo pesquisas que conectam Minas Gerais a temas estratégicos para a conservação da Amazônia.

UFV
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