Quem visita o Circuito Agronomia: Caminhos da Produção, montado em frente ao Centro de Vivência durante a 96ª Semana do Fazendeiro, encontra prateleiras repletas de diferentes variedades de bananas, laranjas e tangerinas. A exposição vai além da diversidade de frutas: ela resgata uma parte importante da história da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da própria criação da Semana do Fazendeiro. A homenagem faz referência ao centenário da instituição e à atuação de Peter Henry Rolfs, fundador da Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav) e responsável por consolidar a filosofia que até hoje orienta a UFV, baseada na integração entre ensino, pesquisa e extensão.
Segundo o professor de Fruticultura Jackson Azevedo Souza, Rolfs chegou a Viçosa na década de 1920 vindo da Flórida, nos Estados Unidos, onde já havia forte tradição na produção de citros. Ao identificar a semelhança entre os climas, iniciou experimentos com frutíferas tropicais, como bananas e laranjas, ainda durante a construção da Esav. Quando a escola foi inaugurada, em 1926, o espaço atualmente ocupado pelo Centro de Vivência e pelo Departamento de Engenharia Florestal era um grande pomar de laranjeiras, enquanto a área das lagoas e das Quatro Pilastras era cultivada com bananeiras.
Os pomares despertavam a curiosidade dos fazendeiros que passavam de trem pela instituição. Interessados nas técnicas de cultivo e nos resultados obtidos, produtores rurais passaram a visitar a escola para conhecer os experimentos. Nessas ocasiões, Peter Henry Rolfs organizava exposições de diferentes variedades de frutas e promovia aulas práticas, iniciativa que deu origem à Semana do Fazendeiro, criada oficialmente em 1929.
O professor Mateus Pereira Gonzatto, também da área de Fruticultura, destaca que a escolha das bananas, laranjas e tangerinas como tema da exposição deste ano presta homenagem às raízes do evento e da própria Universidade. Juntas, essas frutas representam cerca de 40% do consumo mundial de frutíferas e estão entre os principais produtos consumidos e exportados pelo Brasil.
A exposição também apresenta curiosidades sobre as diferentes variedades. Entre elas, a preferência dos brasileiros por bananas mais ácidas, como a Prata, enquanto mercados como o norte-americano consomem principalmente a banana Nanica, conhecida pelo porte reduzido da planta, apesar do tamanho dos frutos. A UFV mantém um amplo banco de germoplasma com diversas variedades, das quais parte está em exibição durante o evento.
Na área dedicada aos citros, os visitantes podem acompanhar a evolução das laranjas ao longo dos séculos, observando diferenças de tamanho, formato, cor e sabor resultantes de cruzamentos genéticos realizados em diferentes partes do mundo. A exposição também lembra que o primeiro registro histórico do cultivo de um citro enxertado no Brasil, um grapefruit (pomelo), ocorreu na antiga Esav sob a liderança de Peter Henry Rolfs. Anos depois, na década de 1930, ele publicou os primeiros estudos sobre o limoeiro Cravo, contribuindo para o desenvolvimento da citricultura nacional.
Além das frutíferas, o Circuito Agronomia reúne espaços dedicados à cafeicultura, olericultura, plantas ornamentais e grandes culturas agrícolas, permitindo ao público conhecer pesquisas, melhoramentos genéticos e tecnologias desenvolvidas pela UFV ao longo de sua história.