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Artigo produzido no Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFV recebe prêmio da revista científica Biotropica

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O artigo “How do birds and ants contribute to the recruitment of a tropical tree?” (Como aves e formigas contribuem para o recrutamento de uma árvore tropical?, em tradução livre), produzido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO) da Universidade Federal de Viçosa (UFV), recebeu o Prêmio Peter Ashton, na categoria Estudante, concedido pela renomada revista científica Biotropica.

O trabalho foi liderado pelo então doutorando José Eduardo Falcon (à direita, na foto) e contou com a colaboração de pesquisadores e colegas do PPGECO e do Laboratório de Ecologia de Comunidades e Ecossistemas Tropicais (EcoTrop). Também participaram seus orientadores no doutorado e no mestrado, respectivamente, os professores Lucas Paolucci (à esquerda, na foto) e José Henrique Schoereder, ambos do Departamento de Biologia Geral da UFV.

Anualmente, o conselho editorial da Biotropica premia artigos que se destacaram no ano anterior. Segundo a revista, os critérios de seleção incluem “clareza de apresentação, sólida base em história natural, delineamento experimental ou amostral bem planejado e insights sobre processos críticos que influenciam a estrutura, o funcionamento ou a conservação de sistemas tropicais”.

Publicado em 2024, o artigo retrata parte da trajetória de pesquisa de José Eduardo e destaca a interação entre dispersão de sementes por aves e formigas e o processo de regeneração da vegetação em ambientes tropicais.

Durante a entrevista concedida à Biotropica, José Eduardo relatou que seu interesse por funções ecológicas surgiu no mestrado, especialmente em relação à dispersão de sementes. A partir daí, direcionou seus estudos para compreender como aves e formigas influenciam o recrutamento — ou estabelecimento — de uma árvore pioneira, capaz de ocupar áreas degradadas e favorecer a recuperação de ecossistemas na Mata Atlântica.

A espécie estudada foi a Xylopia sericea, conhecida popularmente como pindaíba, pindaíba-boca-seca ou pimenta-de-macaco, entre outros nomes. O estudo revelou que aves e formigas atuam de forma complementar nesse processo.

“As aves funcionam como dispersores de longa distância, carregando sementes para longe das plantas-mãe — cerca de 20 vezes mais distante do que as formigas —, o que aumenta as chances de sobrevivência e germinação”, explicou o pesquisador.
“As formigas, por sua vez, transportam um número mais que o dobro de sementes em relação às aves e as levam para perto de seus ninhos, locais ricos em nutrientes, onde as mudas têm melhores condições para germinar e se estabelecer.”

De acordo com a Biotropica, o sistema conjunto de dispersão observado no estudo aumentou o recrutamento de plantas em cerca de 29% em comparação ao que seria obtido apenas pela ação das aves.

José Eduardo afirmou que ele e seus colaboradores receberam o prêmio com grande satisfação:

“A Biotropica é uma revista científica de referência na área de ecologia tropical, e publicar nela já foi uma enorme alegria. Receber o Prêmio Peter Ashton é uma validação de todo o trabalho desenvolvido ao longo dos meus anos na UFV e uma confirmação de que realizamos uma pesquisa de destaque.”

O pesquisador defendeu sua dissertação de mestrado em 2017 e sua tese de doutorado em 2025, ambas na UFV. O artigo premiado está disponível no site da Biotropica, onde também pode ser lido o depoimento completo de José Eduardo (em inglês).

Informação: UFV
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