Vídeos gravados por um ex-servidor terceirizado da Prefeitura de Ubá ganharam grande repercussão nas redes sociais no início da noite desta terça-feira (11), após serem divulgados pelo vice-prefeito, Romulo Silva. Nas imagens, o ex-servidor mostra fogões armazenados no antigo imóvel do Tênis Clube e afirma que os equipamentos estariam “escondidos” no local.
As gravações mostram caixas contendo fogões, além de colchões que, segundo as informações apresentadas nos vídeos, seriam destinados a doações. Em determinado momento, também são feitas referências a supostos furtos de máquinas de lavar, além de alegações envolvendo autorizações para retirada de materiais e possíveis irregularidades na distribuição de carnes.
Mas os esclarecimentos obtidos durante a apuração indicam que a situação dos fogões era diferente da apresentada inicialmente nos vídeos.
Segundo informações da Coordenação Municipal da Defesa Civil, os equipamentos não estavam abandonados nem ocultados irregularmente. Os fogões haviam sido recebidos para posterior distribuição às famílias atingidas pelas enchentes registradas em fevereiro deste ano, como parte da estruturação do chamado Kit Recomeço.
De acordo com informações da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), a seleção das famílias beneficiadas pelo programa foi feita a partir de listas encaminhadas pelas secretarias municipais de Assistência Social e de consultas à base de dados do Cadastro Único (CadÚnico), considerando informações atualizadas até abril de 2026.
Desaparecimento de equipamentos
A situação ganhou outro contorno após a identificação da ausência de pelo menos três fogões armazenados no imóvel. Segundo informações repassadas pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, um boletim de ocorrência foi registrado após a constatação do desaparecimento dos equipamentos. Durante a apuração interna, uma das linhas investigativas passou a considerar o acesso que um ex-servidor terceirizado possuía ao espaço onde os materiais estavam armazenados.
Segundo informações obtidas durante a apuração, o funcionário tinha acesso ao imóvel por meio de chaves. Após seu desligamento, essas chaves não teriam sido recolhidas imediatamente, em razão de uma falha administrativa. A circunstância passou a ser considerada um dos elementos analisados na investigação. A existência dessa possibilidade, entretanto, não significa que o ex-servidor tenha praticado o furto. Eventual responsabilidade criminal somente poderá ser estabelecida pelas autoridades competentes após a conclusão das investigações e a análise das provas.
Outros materiais também são investigados
A apuração não estaria restrita aos fogões. Segundo fontes ligadas às autoridades responsáveis pelo caso, também existem indícios de possíveis desaparecimentos de outros materiais que estavam sob responsabilidade do poder público, entre eles tintas e eletrodomésticos. Ainda conforme as informações obtidas, um boletim de ocorrência foi registrado e pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos.
Entre os fatos investigados está o desaparecimento de equipamentos do Horto. Conforme informações preliminares, um dos aparelhos teria sido trocado por um telefone celular, enquanto outro equipamento teria sido localizado na residência do ex-servidor. Essas circunstâncias, contudo, ainda dependem da conclusão da investigação e da confirmação formal pelas autoridades responsáveis.
Acusações sobre distribuição de carnes
Os vídeos também fazem acusações relacionadas à suposta distribuição irregular de carnes. Até o momento, não houve retorno oficial sobre essas alegações. O caso segue sob apuração e deverá depender do cruzamento de informações, análise de documentos e coleta de provas. Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a quantidade exata de materiais desaparecidos, quem tinha acesso aos locais de armazenamento, quando os equipamentos deixaram de ser encontrados e qual foi o destino dos objetos.
Também deverá ser investigado se existe alguma relação entre o desaparecimento dos materiais e as pessoas que tinham acesso aos imóveis, aos depósitos municipais ou às atividades de distribuição de alimentos e outros itens destinados à população atingida pelas enchentes.