A luta pelos direitos das mulheres foi tema de uma das Tribunas Livres da reunião plenária da última quinta-feira (5), realizada pela Câmara Municipal, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Para falar sobre o assunto, os vereadores receberam a cidadã Ana Bárbara Silva Moreira. Formada em Direito e ativista de pautas sociais, ela destacou que o 8 de março não é uma data de comemoração, mas de reflexão e mobilização.
“O Dia Internacional da Mulher não pode ser reduzido a flores, a homenagens ou a discursos simbólicos. Ele precisa ser um grito coletivo por mudança. […] É um dia de luta. É um dia que existe porque, ao longo da história, mulheres precisaram enfrentar violência, discriminação e silenciamento para conquistar direitos básicos. Direitos que deveriam sempre ter sido garantidos. E infelizmente, quando olhamos para o presente, percebemos que essa luta continua”, afirmou.
Durante a fala, Ana Bárbara destacou que a data também serve para lembrar que a igualdade ainda não chegou para todas e questionou a baixa representatividade feminina em espaços de poder. “Nós somos maioria do eleitorado feminino. Por que ainda somos tão poucas em todos os cenários políticos? E não é só no cenário político, nos espaços de poder, nos espaços de liderança, em empresas”, pontuou. Ela também lamentou os casos de feminicídio registrados no país e ressaltou que a violência contra a mulher é um problema estrutural.
“Quando uma mulher é assassinada simplesmente pelo seu gênero, por ser mulher, isso não é um acaso, isso não é uma tragédia isolada, isso é uma violência estrutural. […] As mulheres não querem privilégios, as mulheres querem viver. Querem andar nas ruas sem medo, querem voltar para casa em segurança e querem existir com dignidade”, destacou. Ao final do discurso, Ana Bárbara agradeceu a oportunidade e pediu o apoio dos vereadores para fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres, ampliar a rede de enfrentamento à violência e garantir que a pauta feminina tenha espaço permanente dentro da Câmara.
“A luta contra a violência contra as mulheres não pode ser tratada como um problema apenas das mulheres. Ela precisa ser assumida como uma responsabilidade coletiva, porque enquanto uma mulher apanha, enquanto uma mulher é silenciada, enquanto uma mulher é assassinada, a democracia também está sendo violentada. […] Cada mulher que perde a vida para a violência é um lembrete de que a nossa luta ainda não terminou”, enfatizou.
Após a fala, os vereadores parabenizaram Ana Bárbara pelo discurso e destacaram a importância de que a luta pelos direitos das mulheres seja permanente, e não restrita apenas ao 8 de março. O presidente da Câmara, vereador Wellington Neim (PP), lembrou que o Legislativo municipal possui um canal de atendimento voltado ao público feminino. “No início do nosso mandato, criamos o COC e a Procuradoria da Mulher justamente para dar um acolhimento a vocês. Então, o que estiver ao nosso alcance, enquanto Poder Legislativo, a gente está aqui à disposição de vocês”, afirmou.
A vereadora Fernanda Bitenco (Agir) também reforçou que o Dia Internacional da Mulher deve ser visto como um momento de reflexão e luta por direitos. “É o dia de lutar. É o dia de a gente ser valorizada, ser mais visada”, disse. Os parlamentares ainda ressaltaram que muitas mulheres enfrentam diferentes tipos de violência, como agressões físicas e psicológicas, e destacaram a importância da Central de Atendimento à Mulher – o “Ligue 180”.
O que é o canal 180
A Central de Atendimento à Mulher, “Ligue 180”, é um serviço do Governo Federal voltado ao enfrentamento da violência contra as mulheres. O atendimento é gratuito, confidencial e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Além de registrar denúncias, o canal oferece orientações sobre os direitos das mulheres e informações sobre a legislação. As denúncias podem ser encaminhadas aos órgãos competentes e direcionadas à rede de atendimento especializado, como a Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referência, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas e Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres. Também é possível acionar o canal por meio de chat no WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180. Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.