Reservatório, que concentra cerca de 10 milhões de m³ de rejeitos, poderá ser incluído posteriormente, mas representantes de comunidades atingidas defendem ampliação imediata das análises
O Lago de Candonga, em Santa Cruz do Escalvado, ficou fora das áreas inicialmente previstas para os estudos do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC) estabelecido pelo Acordo de Repactuação relacionado ao rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, em 2015.
A situação voltou a ser questionada durante a 5ª Reunião Ordinária da Instância Mineira de Participação Social (IMPS), realizada em 27 de agosto, em Ipatinga. O encontro contou com a apresentação da empresa WSP, contratada para realizar os estudos previstos no acordo. Nesta primeira etapa, as análises serão realizadas em Paracatu de Baixo, Barra Longa, Governador Valadares e no reservatório da UHE Aimorés, com coleta e análise de água, solo e sedimentos.
Durante a reunião, o representante de Santa Cruz do Escalvado, Rio Doce e Chopotó, Marcos Antônio Martins, questionou a ausência do Lago de Candonga nas investigações. O reservatório concentra aproximadamente 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério. Segundo a explicação apresentada no encontro, o acordo prevê o gerenciamento da contaminação do Lago de Candonga caso os rejeitos não sejam retirados. Os estudos que irão subsidiar a decisão sobre a retirada dos rejeitos, porém, têm prazo de até dois anos.
Para Marcos, a investigação sobre possíveis impactos ambientais não deveria depender dessa decisão. Ele também criticou a distância entre os pontos de amostragem previstos.
“Vai ter um ponto em que eles vão de Paracatu até Barra Longa e, depois, vão ficar mais de 300 quilômetros sem fazer uma amostragem. Aí não tem uma representatividade.”
O representante informou que está preparando, com apoio do Centro Rosa Fortini, um ofício a ser encaminhado aos Ministérios Públicos Federal e Estadual solicitando a ampliação das áreas de coleta. A proposta é que todos os territórios atingidos ao longo da Bacia do Rio Doce sejam contemplados, garantindo uma amostragem mais ampla e representativa.
“Acreditamos que tem que ter, no mínimo, algumas amostragens em cada território, na bacia toda”, afirmou Marcos.
A Semad informou que os trabalhos ainda estão no início e que os estudos poderão ser ampliados caso os resultados indiquem essa necessidade. Também está sendo elaborado um plano de comunicação para manter as comunidades informadas e ampliar a participação das pessoas atingidas no processo.