A ação da Câmara em parceria com a Prefeitura possibilitou que metade dos animais disponíveis para adoção encontrasse um novo lar
A 8ª Feira de Adoção, que nesta edição contou com o apoio da Câmara Municipal em parceria com a Prefeitura, resultou na adoção de metade dos animais disponíveis. Realizado na manhã do último sábado (11), na Praça da Democracia, o evento reuniu voluntários, protetores e famílias interessadas, e também incluiu uma palestra sobre o papel do poder público na promoção do bem-estar animal, promovendo conscientização e solidariedade.
Dos nove cães disponíveis para adoção, quatro ganharam novos tutores, além de uma gata que também encontrou um lar. O presidente da Câmara, Wellington Neim (PP), destacou a parceria entre o Legislativo, por meio da Biblioteca Maria de Abreu, e a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), para a realização da feira.
“Temos a oportunidade de unir o poder público, entidades, voluntários e a comunidade em um propósito comum: garantir um futuro digno aos cães e gatos que aguardam a chance de serem acolhidos por famílias responsáveis e carinhosas. A adoção é, sem dúvida, um ato de amor, mas também de consciência”, afirmou.
A agente administrativa e bibliotecária da Câmara, Maria Aparecida Lima, que atuou na organização da feira junto à Prefeitura, avaliou positivamente o evento.
“Cumprimos nosso propósito ao proporcionar um espaço de conscientização, aprendizado e solidariedade. Metade dos animais apresentados encontrou um novo lar, e os participantes puderam ampliar sua compreensão sobre a importância das políticas públicas voltadas ao bem-estar animal em Ponte Nova”, destacou.
A programação também incluiu uma palestra da promotora de justiça Marcela Nunes de Oliveira, realizada no Plenário João Mayrink, com o tema “O papel do poder público municipal na promoção do bem-estar animal”. Durante sua fala, Marcela abordou a evolução do conceito de animal na legislação:
“Deixamos de ver os animais como meros objetos ou coisas, e hoje os reconhecemos como seres sencientes — seres vivos dotados da capacidade de sofrer, sentir e apresentar comportamentos intencionais.”
Ela também explicou o conceito de bem-estar animal:
“Garantir aos animais uma vida digna, que respeite suas liberdades — nutricional, de conforto, de saúde, comportamental e psicológica. A saúde humana não pode ser vista separadamente da saúde ambiental e da saúde animal: é tudo uma coisa só.”
A promotora ressaltou ainda que a legislação impõe aos municípios o dever de promover políticas públicas que assegurem a dignidade dos animais, como o controle reprodutivo de cães e gatos.
“Proteger os animais não é um gesto de bondade ou caridade do poder público, mas um dever constitucional”, afirmou.
Entre as ações possíveis ao Legislativo, Marcela destacou a criação de leis rigorosas, a implementação de programas permanentes de castração, a definição de sanções administrativas e a destinação de recursos orçamentários para políticas voltadas à causa animal. Ela também lembrou que os maus-tratos vão além da violência física, abrangendo as condições de vida e o nível de bem-estar do animal. Para avaliar esse grau, é preciso observar se ele vive livre de fome e sede (liberdade nutricional), de desconforto (ambiental), de dor e doenças (sanitária), se pode expressar seu comportamento natural (comportamental) e se está livre de medo e estresse (psicológica).
“Quando uma Câmara aprova uma lei que proíbe, por exemplo, o uso de fogos de artifício com barulho, está justamente garantindo a liberdade psicológica dos animais, livrando-os do medo e do estresse”, exemplificou.
Ao final da palestra, vereadores e participantes puderam tirar dúvidas e comentar o tema com a promotora. O evento contou com a presença da secretária municipal de Meio Ambiente, Aline Vieira; da assessora de bem-estar animal, Núbia Andrade; do desembargador Henrique Abi-Ackel Torres; e do protetor independente Eduardo Duarte (Três Patas).
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