Dez anos após uma das maiores tragédias ambientais já registradas no país, os membros dos Comitês Afluentes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce reforçam a importância da união dos colegiados nas discussões sobre a restauração dos cursos d’água e avaliam a atual situação ambiental do manancial, ainda profundamente marcado pelo desastre que provocou danos incalculáveis.
O rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em novembro de 2015, deixou cicatrizes profundas no Rio Doce. O episódio gerou impactos devastadores nas comunidades ribeirinhas, entre povos indígenas que dependiam da pesca e na população dos municípios atingidos, tanto em Minas Gerais quanto no Espírito Santo.
Ao longo dessa década, os representantes dos comitês das porções mineira e capixaba do Rio Doce uniram esforços e ampliaram ações voltadas à preservação e recuperação da bacia. Para o presidente do CBH Piranga, Carlos Eduardo Silva, o cenário atual é de lentidão na reparação e desigualdade no reconhecimento da tragédia.
“Após dez anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a situação ainda é marcada pela lentidão da reparação, pela desigualdade no reconhecimento e indenizações das vítimas e pela permanência dos impactos sociais e ambientais. Estamos sempre buscando parcerias, especialmente com o Ministério Público, para fortalecer o processo de repactuação. Nosso objetivo maior é alcançar a universalização do saneamento”, destacou.
Entre os avanços conquistados nesse período está a aprovação do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Suaçuí (PDRH), que traça um diagnóstico da realidade ambiental do território e define estratégias para solucionar os principais problemas em curto, médio e longo prazos. Apesar disso, o presidente do CBH Piranga ressalta que ainda há muito a ser feito.
“Na avaliação do comitê, os acordos firmados ao longo dessa década não cumpriram integralmente o propósito de reparação ambiental da bacia. O que ainda falta? A repactuação ambiental, a recuperação do leito do rio — ainda com presença de rejeitos em suspensão — e a melhoria da qualidade da água e da vida aquática. A reparação total dos danos ambientais, a garantia de segurança hídrica e a reparação social seguem como desafios em andamento”, afirmou.
Fonte: Prefécio Comunicações