Na última semana de setembro, dezenas de noivas e debutantes foram surpreendidas em Ponte Nova após a empresa responsável pela decoração e cerimonial de seus eventos não comparecer nas datas marcadas. Pouco depois, a proprietária comunicou que a empresa estava encerrando as atividades e declarando falência. Segundo relatos das vítimas, o prejuízo coletivo já ultrapassa R$ 200 mil. Apenas em um grupo de WhatsApp criado para troca de informações, 27 mulheres já se identificaram como lesadas, somando R$ 158.286,00 em valores pagos e não devolvidos.
De acordo com Lívia dos Reis Geraldo, de 32 anos, uma das afetadas, a empresa era contratada para serviços de decoração de casamentos e festas de 15 anos, com compromissos firmados até o ano de 2027. “Algumas noivas tinham cerimônia marcada já neste mês e ficaram completamente desamparadas”, relatou. Todas as clientes receberam a mesma mensagem de cancelamento. No texto, a proprietária da empresa afirmava estar “destruída” e prometia vender seus bens para tentar devolver o dinheiro.
“É com muita dor no coração que envio essa mensagem. Eu tentei, batalhei, lutei para manter a empresa, mas infelizmente não consegui. Jamais faria qualquer sacanagem de não comparecer no dia. Estou destruída e estudando a melhor forma de devolver os valores pagos”, escreveu.
O caso ganhou ainda mais repercussão após um comentário publicado em um perfil do Instagram, supostamente de uma tia da proprietária, insinuar que o problema estaria relacionado ao “baixo valor cobrado pelos serviços”. A declaração gerou revolta entre as vítimas, que entenderam o comentário como uma tentativa de transferir parte da culpa às noivas.
Na manhã desta segunda-feira (6), um grupo de mulheres compareceu à Delegacia de Polícia Civil de Ponte Nova para registrar ocorrência. Os boletins de ocorrência foram confeccionados como estelionato, e as vítimas foram orientadas a procurar o fórum para dar prosseguimento aos trâmites judiciais. Outras pessoas lesadas ainda devem formalizar as denúncias nos próximos dias.
Diante da dificuldade em reaver os valores pagos e da urgência de algumas celebrações, as famílias decidiram se unir. Elas criaram uma vaquinha solidária para arrecadar fundos e garantir que as festas possam acontecer, especialmente as com datas mais próximas. Em nota divulgada pelo grupo, as vítimas afirmam que a iniciativa busca “reconstruir sonhos interrompidos de forma abrupta”:
“O motivo desta vaquinha é simples: não aceitamos que o sonho de uma vida inteira seja destruído pela irresponsabilidade de terceiros. Lutamos pelo nosso direito de celebrar o amor e a vida com a dignidade que merecemos.”
Os valores arrecadados serão divididos de forma proporcional entre as vítimas, com duas finalidades principais:
Reconstrução imediata da decoração, para que as noivas e debutantes com festas próximas consigam realizar seus eventos;
Cobertura dos custos jurídicos, para garantir o andamento das ações de indenização e recuperação do prejuízo total.
“Cada real doado é um ato de solidariedade. É a diferença entre o caos e a esperança. Você está ajudando uma noiva a não chorar na véspera do casamento, mas a celebrar”, finaliza o grupo.