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Bastidores da COP30-Belém

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Na última semana registrei aqui na coluna que o número de líderes mundiais com presenças confirmadas na COP30 seria de 57. Por líderes, entenda-se chefes de estados ou governos. O número foi divulgado pela ISTOÉ. No vaivém das narrativas, a presença de líderes chegou a 16. A organização do evento é deficiente: falta de energia elétrica, ar-condicionado insuficiente para as altas temperaturas de Belém, carros incendiados, transporte e segurança deficientes mesmo com a GLO, manifestações inadequadas de grupos que buscam notoriedade, e o custo das acomodações e refeições exorbitantes e oportunistas. No site TERRA encontrei os seguintes preços: sanduiche natural R$ 35 – água mineral 300 ml R$ 25 – brigadeiro R$ 20 e a coxinha R$ 30. Não encontrei o preço do “pão com mortadela”. Provavelmente a distribuição é gratuita. As acomodações para hospedagem, segundo o Ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho a CNN, os preços estão dentro da normalidade. Depende do ponto de vista do que é normalidade. Pousadas cobram US$ 100 (R$ 527) sem café da manhã. Hotéis 5 estrelas chegam a US$ 3,5 mil (R$ 18.445) a diária.

Para atender o evento, o governo contratou dois navios de turismo: o MSC Seaview e o Costa Diadema. Juntos, oferecem 3.882 cabines e capacidade para até 9 mil pessoas, com diárias variando de R$ 3 mil a R$ 25 mil. Alternativa encontrada para compensar a infraestrutura insuficiente de hospedagem. Aí não resisto a pergunta: por que A COP não foi para Manaus onde a infraestrutura está praticamente pronta? Qual a vantagem de mostrar Belém com a sala arrumada e a sujeira varrida para debaixo do tapete? Num evento em que se combate a queima de combustível fóssil, esses navios consomem toneladas de óleo diesel. Não bastasse isso, o governo alugou um IATE de grande porte para fazer morada. O barco consome 3,6 mil litros de diesel por dia. Mas no discurso de Luiz Inácio na abertura do evento, foi enfático em defender a transição energética e a redução do uso do petróleo. Discursos a parte, o governo autorizou o início da prospecção de jazida de petróleo na bacia do Rio Amazonas.

Planos e sonhos irrealizáveis e ideias generosas cheias de narrativas, porém impossíveis. A cúpula da COP só fala em dinheiro. Nações ricas prometem para países pobres doações para os próximos 5/10 anos, esperando que eles invistam na preservação do meio ambiente. Se não ficarem na promessa, as verbas percorrem um longo caminho até terminar no proposto. Nessa trajetória é comum acontecer forte desidratação dos recursos. A proposta do governo brasileiro para criar o TFFF – Fundo Florestas Tropicais para Sempre – engatinha. O Brasil possui a maior área de florestas tropicais do mundo e seria o principal beneficiado. Legislar em causa própria pode ser restritivo. Brasil, Noruega, Indonésia, França e Portugal aderiram ao projeto. O total prometido ultrapassa US$ 5,5 bilhões, metade da meta anual. A China prefere não desagradar TRUMP, com quem vem fazendo bons negócios. Outros membros, prometeram pensar. Em tempos de aquecimento do planeta, a COP30 ainda não esquentou. BOA SEMANA, e pense: tenha consciência e respeito com todas as raças.

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