Suspensão temporária das negociações ocorreu em meio à reação dos investidores ao resultado das eleições presidenciais.
A Bolsa de Valores brasileira registrou forte queda na manhã desta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo as informações divulgadas. O Ibovespa, principal índice da B3, chegou a recuar 10% em relação ao fechamento anterior, levando ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte instabilidade.
De acordo com o comunicado citado na reportagem, a suspensão durou 30 minutos. A medida interrompeu operações com ações, fundos de índice (ETFs), recibos de ações estrangeiras (BDRs), opções e determinados títulos de renda fixa privada. A retomada estava prevista para ocorrer após um leilão entre 10h30 e 10h35, no horário de Brasília.
REAÇÃO DO MERCADO
A movimentação ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Segundo informações atribuídas à agência Reuters, parte dos investidores havia apostado em uma vitória do candidato do PL. Com a confirmação do resultado eleitoral, o mercado passou a reavaliar as expectativas para a política econômica brasileira. Entre os fatores acompanhados pelos investidores estão as perspectivas para as contas públicas, a trajetória da dívida pública, os gastos federais e as decisões econômicas do próximo mandato.Além do mercado acionário, a instabilidade também atingiu o câmbio e os contratos futuros de juros e do Ibovespa.
COMO FUNCIONA O CIRCUIT BREAKER?
O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela B3 para interromper temporariamente as negociações diante de quedas expressivas do Ibovespa. O objetivo é permitir que os participantes do mercado avaliem as condições financeiras e suas posições antes da retomada das operações. Pelas regras descritas na reportagem, uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior provoca uma interrupção de 30 minutos. Se, após a reabertura, o índice atingir uma desvalorização de 15%, pode ocorrer uma nova suspensão, por uma hora. Em caso de queda de 20%, a Bolsa pode determinar outra interrupção, conforme os procedimentos previstos em suas regras.
O mecanismo já foi utilizado em períodos de grande instabilidade, como durante a crise financeira de 2008 e, mais recentemente, no início da pandemia de Covid-19, em março de 2020. A evolução do mercado dependerá, entre outros fatores, das expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica e das próximas sinalizações do governo federal.