Pesquisar

OMUNIDADE MATADOURO, EM RIO DOCE, INICIA CONSTRUÇÃO DE PROTOCOLO DE CONSULTA

Compartilhe
Facebook
Twitter
Email
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

Moradores da comunidade Matadouro, em Rio Doce (MG), se reuniram na noite desta quarta-feira (30) com a equipe do Centro Rosa Fortini para compartilhar memórias, histórias e aspectos do modo de vida local. O encontro marcou os primeiros passos para a construção do Protocolo de Consulta Prévia, Livre e Informada (PCPLI).

Durante a reunião, os moradores relembraram como as famílias viviam no passado e destacaram a relação histórica com os rios Doce e do Carmo, que fazem parte da identidade e da trajetória da comunidade.“A nossa sobrevivência foi toda em função do rio”, relatou uma moradora. Segundo os relatos, as águas estiveram diretamente ligadas ao sustento de diferentes gerações.

A relação com o Rio do Carmo também aparece na identidade das famílias. Um dos moradores contou que a ligação é tão profunda que chegou ao próprio sobrenome: “As pessoas até perguntam se o nosso sobrenome veio primeiro do rio ou se nosso sobrenome foi para o rio”.As memórias compartilhadas apontam que a história de Matadouro foi construída a partir da pesca, faiscação, agricultura e do trabalho na Fazenda Porto Alegre. Famílias cultivavam milho, feijão e café pelo sistema de meia, utilizando a produção como fonte de sustento.

Os moradores também relembraram a prática da faiscação de ouro. Segundo os relatos, o material encontrado era levado para casa e lavado com o auxílio do carumbé, instrumento de origem indígena utilizado nesse processo.A religiosidade e a convivência comunitária também foram destacadas. Festas, novenas, procissões e encontros entre vizinhos faziam parte da rotina das famílias. A Capela Nossa Senhora do Carmo é apontada como um dos símbolos dessa história, construída em um terreno doado a partir do desejo dos moradores.

Outro registro importante é um livro mantido pela própria comunidade, que reúne relatos sobre a formação de Matadouro e a trajetória das famílias.As histórias compartilhadas durante o encontro foram organizadas em um mural, formando uma espécie de linha do tempo da comunidade. A atividade ajudou a reunir diferentes aspectos da história, da cultura e das formas de organização local.

A partir das memórias, os moradores também discutiram os próximos passos para a construção do Protocolo de Consulta. O grupo demonstrou interesse em dar continuidade ao processo e concordou com a participação de outras localidades da região nas próximas etapas.Ao final, foram apresentados exemplos de Protocolos de Consulta elaborados por outros povos e comunidades tradicionais, permitindo aos moradores conhecer diferentes formas de conduzir o processo.

Em Matadouro, a construção do protocolo começa pelas próprias histórias, memórias e formas de organização da comunidade.

Siga nas redes sociais
Artigos relacionados
Acessar o conteúdo