Quando um paciente realiza uma cirurgia, um exame especializado ou um procedimento de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Ipatinga, parte desse atendimento tem sido financiada diretamente pela Prefeitura. Segundo a administração municipal, recursos próprios vêm sendo utilizados para custear procedimentos que deveriam contar com financiamento da União, aumentando a pressão sobre o orçamento da saúde. Na última quarta-feira (22), a Prefeitura efetuou o pagamento de R$ 1,1 milhão aos médicos pessoas jurídicas, dando continuidade à regularização de valores pendentes e reforçando a manutenção dos serviços prestados à população.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Allan Falci, entre 2023 e 2025 o município arcou com despesas referentes a procedimentos de média e alta complexidade que deveriam ter sido financiados pelo Ministério da Saúde. Por esse motivo, a Prefeitura solicitou uma indenização de R$ 14.490.057,21, correspondente aos serviços realizados e pagos com recursos municipais. Além da indenização, o município também pleiteia a ampliação do teto financeiro destinado aos atendimentos de média e alta complexidade. Atualmente, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os repasses federais já não acompanham o crescimento da demanda.
A solicitação prevê um acréscimo de R$ 627.474,60 por mês, totalizando R$ 7.529.695,25 por ano, valor que passaria a integrar permanentemente o orçamento da saúde caso seja aprovado pelo Ministério da Saúde. Os dois pedidos já receberam parecer favorável da Comissão Intergestores Bipartite do SUS em Minas Gerais (CIB-SUS/MG). Agora, o município aguarda a publicação da portaria ministerial que autoriza a liberação dos recursos. Caso a autorização seja publicada ainda em agosto, a expectativa é que Ipatinga receba até R$ 17,6 milhões em 2026, considerando a indenização pelos atendimentos já realizados e a recomposição do teto financeiro.
Outro exemplo do esforço financeiro do município é a manutenção da UTI Pediátrica do Hospital Municipal Eliane Martins. Mesmo sem habilitação do serviço pelo Ministério da Saúde — condição necessária para o recebimento de recursos federais — a Prefeitura mantém a unidade em funcionamento com recursos próprios, investindo mais de R$ 6 milhões por ano para custear médicos, enfermeiros e toda a equipe multiprofissional, além dos investimentos realizados na aquisição dos equipamentos que estruturaram a unidade. Enquanto aguarda a liberação dos recursos federais, a Prefeitura afirma que continuará garantindo consultas, exames, cirurgias e demais procedimentos do SUS para evitar interrupções no atendimento à população.
Segundo o secretário Allan Falci, a prioridade da administração municipal é assegurar a continuidade da assistência à população, conduzindo o processo com responsabilidade, transparência e diálogo.