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Audiência Pública debate desafios enfrentados por pessoas com fibromialgia em Viçosa

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A Câmara Municipal de Viçosa realizou, na última quarta-feira (24), uma Audiência Pública para discutir as demandas das pessoas diagnosticadas com fibromialgia, com foco especial nas mulheres que convivem com a síndrome. A iniciativa foi proposta pela vereadora Jamille Gomes (PT), por meio do Requerimento nº 21/2026, e reuniu profissionais da saúde, representantes do poder público, especialistas e pacientes.

Segundo a parlamentar, o encontro surgiu a partir de reivindicações de mulheres que procuraram seu gabinete em busca de apoio, mas também teve como objetivo ampliar a conscientização da população sobre a doença e os desafios enfrentados por quem convive com a fibromialgia. Também participaram da audiência os vereadores Marly Coelho (PRD) e Rogério Fontes (PP), que manifestaram apoio à causa.

A médica reumatologista e professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Cristiane Junqueira de Carvalho, abriu as apresentações explicando que a fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por dores generalizadas, fadiga e distúrbios do sono. Segundo ela, a doença afeta entre 2,5% e 5,5% da população brasileira, principalmente mulheres entre 20 e 55 anos.

A especialista destacou que o diagnóstico é clínico, realizado por médico reumatologista, e que o tratamento deve ser multidisciplinar, combinando medicamentos, exercícios físicos, alimentação adequada e acompanhamento psicológico. Cristiane também ressaltou que, com a Lei Federal nº 15.176/2025, pessoas com fibromialgia podem ser reconhecidas como Pessoa com Deficiência (PcD), desde que passem por avaliação biopsicossocial.

A importância da atividade física foi abordada pela profissional de Educação Física Juliana Valente, mestre e doutoranda em Saúde da Mulher pela UFV. Ela explicou que exercícios aeróbicos, treinamento de força, práticas como yoga e tai chi, além de atividades aquáticas, contribuem para reduzir dores, melhorar a qualidade do sono e diminuir a fadiga.

Pacientes relatam dificuldades

Durante a audiência, pacientes compartilharam relatos sobre a demora no diagnóstico, dificuldades de acesso ao tratamento e falta de conhecimento da população sobre os direitos garantidos por lei. Carmen Coelho contou que consultou 15 médicos antes de conseguir o diagnóstico em Belo Horizonte e cobrou maior divulgação da Lei Municipal nº 2.795/2019, que garante atendimento prioritário, vagas de estacionamento e vale-transporte às pessoas com fibromialgia.

Andreia Reis, que convive com a doença há mais de dez anos, falou sobre os desafios de manter a rotina diante das dores constantes e da falta de sono, enquanto Rosângela Rodrigues classificou a fibromialgia como “uma dor invisível e devastadora”, defendendo um diagnóstico mais rápido e atendimento humanizado.

Também foram apresentados relatos sobre a necessidade de mais acolhimento psicológico, grupos de apoio, ampliação do acesso a especialistas e respeito ao uso da carteirinha e do cordão de identificação.

Encaminhamentos e propostas

Representantes da Prefeitura e de diferentes setores também participaram do debate. O assessor jurídico Mauro Henrique informou que o serviço de assistência judiciária gratuita pode auxiliar pacientes em questões relacionadas ao acesso a medicamentos e outros direitos.

A coordenadora de Assistência e Inclusão, Rosângela Maria Evangelista de Carvalho, apresentou um projeto de atividades físicas voltado para pessoas com fibromialgia. Já a assistente social Carla Helena explicou o processo para emissão da carteirinha da fibromialgia e destacou a importância de uma avaliação biopsicossocial.

A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Mara Iamin, informou que pretende incluir as demandas das pacientes no Plano Municipal de Políticas Públicas para Mulheres, propondo ações de assistência social, saúde, inclusão produtiva e fortalecimento da autonomia financeira.

Ao encerrar a audiência, o secretário municipal de Saúde, Marcos Alexandre de Freitas Vieira, anunciou que o município pretende implantar uma linha de cuidado específica para pessoas com fibromialgia, incluindo a criação de um ambulatório multiprofissional e a contratação de um novo médico reumatologista. Ele também se comprometeu a verificar casos de pacientes que enfrentam dificuldades no acesso aos encaminhamentos e tratamentos.

O encontro foi encerrado com perguntas e depoimentos do público, reforçando a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico, ao tratamento multidisciplinar e às políticas públicas voltadas às pessoas que convivem com a fibromialgia em Viçosa.

Câmara de Viçosa
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