Ex-aluno da Universidade Federal de Viçosa, onde cursou da graduação ao doutorado, o pesquisador brasileiro Luciano Moreira foi incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista Time, em reconhecimento à liderança na implementação do método Wolbachia no combate à dengue. No ano anterior, o cientista já havia sido destaque da revista Nature como um dos 10 pesquisadores que moldaram a ciência em 2025. Em entrevista à Diretoria de Comunicação Institucional da UFV, Luciano destacou que a formação recebida na universidade foi fundamental para prepará-lo para enfrentar desafios contemporâneos da ciência.
Luciano ingressou na UFV em 1986, no curso de Agronomia, já com interesse em iniciação científica e no estudo da entomologia, especialmente de insetos-praga. Em 1992, iniciou o mestrado em Fitotecnia, quando pesquisou um percevejo predador com potencial para o controle biológico de pragas agrícolas. No doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas, dedicou-se à genética molecular, buscando identificar genes associados à resistência do tomateiro a uma mosca considerada praga. Durante esse período, desenvolveu parte de sua pesquisa no Centre of Plant Breeding and Reproduction Research, na Holanda. Desde 2002, atua como pesquisador em saúde pública no Instituto René Rachou, na área de Biologia Molecular. Em seus pós-doutorados, voltou-se para a entomologia médica e participou da descoberta de que a bactéria Wolbachia é capaz de bloquear vírus transmitidos pelo Aedes aegypti.
Ao longo de mais de duas décadas, teve papel central no desenvolvimento, aperfeiçoamento e implementação em larga escala do método Wolbachia, atualmente liderado por ele no âmbito do Programa Mundial de Mosquitos. A estratégia consiste em introduzir a bactéria nos mosquitos, impedindo a multiplicação do vírus da dengue e tornando-o inofensivo para humanos.
A técnica já foi aplicada em diversas cidades brasileiras, com redução de até 89% nos casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Além da dengue, o método também contribui para o controle da Zika e da chikungunya. O conhecimento acumulado em entomologia aplicada à saúde pública levou o pesquisador à criação do Wolbito do Brasil, considerada a maior biofábrica do mundo dedicada à produção de mosquitos com a bactéria Wolbachia. A iniciativa tem como meta proteger mais de 140 milhões de pessoas na próxima década, contribuindo para redefinir as estratégias de enfrentamento às doenças transmitidas por mosquitos.