A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova promoveu, na manhã do dia 10 de março, uma reunião técnica para reforçar as ações de vigilância e prevenção da leptospirose nos municípios da região. O encontro foi realizado na sede da regional e reuniu representantes de 14 municípios. A atividade foi organizada pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) e conduzida pela referência técnica em zoonoses, Isabela de Castro Oliveira. Participaram da reunião coordenadores de Vigilância em Saúde, responsáveis pela área de Epidemiologia e técnicos de zoonoses dos municípios vinculados à regional.
Doença associada a enchentes
A leptospirose é considerada uma das zoonoses mais disseminadas no mundo, com maior incidência em países tropicais e aumento de casos em períodos chuvosos, enchentes e inundações. A doença é causada pela bactéria Leptospira, transmitida pelo contato direto ou indireto com urina de animais infectados — principalmente ratos. A contaminação pode ocorrer por meio de ferimentos na pele, contato prolongado com água contaminada ou pelas mucosas. O período de incubação geralmente varia de 7 a 14 dias, podendo chegar a 30 dias. Segundo Isabela, as inundações registradas recentemente em municípios da Zona da Mata, como Ubá e Juiz de Fora, reforçaram a necessidade de alerta às equipes de saúde.
“Não somente a água, mas também a lama proveniente desses desastres propicia um ambiente favorável à contaminação”, explicou. Ela orienta que a limpeza de áreas atingidas por enchentes seja feita com luvas, botas de borracha e máscaras, seguida de lavagem e desinfecção com solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, capaz de eliminar a bactéria.
Importância da capacitação
Presente no encontro, o enfermeiro Alessandro Amato Sérvulo, representante do município de Diogo de Vasconcelos, destacou a importância da capacitação para fortalecer o trabalho nos municípios.
“Saio do encontro mais seguro para levar esse conhecimento para a minha atuação profissional e também para repassar à equipe, fortalecendo a vigilância e a resposta oportuna aos casos suspeitos”, afirmou.
Dados da doença em Minas
De acordo com informações da Coordenação Estadual de Vigilância das Zoonoses, com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), entre 2022 e 2025 foram registrados em Minas Gerais 444 casos confirmados de leptospirose e 34 óbitos. Na área de abrangência da SRS Ponte Nova, foram confirmados dois casos da doença desde 2025 até o momento.
Sintomas e atenção aos sinais
A leptospirose apresenta duas fases clínicas. Na fase inicial, os sintomas costumam ser inespecíficos e incluem:
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febre
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perda de apetite
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dor muscular
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mal-estar
Já na fase tardia, os quadros podem evoluir para formas mais graves, como a síndrome de Weil, caracterizada por:
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icterícia (pele e olhos amarelados)
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insuficiência renal
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hemorragias
A orientação das autoridades de saúde é que qualquer pessoa com suspeita da doença procure imediatamente atendimento médico, para início do tratamento mesmo antes da confirmação laboratorial.
Grupos de maior risco
A doença pode ocorrer ao longo de todo o ano, mas alguns grupos apresentam maior risco de exposição, como:
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profissionais da limpeza urbana
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trabalhadores da rede de esgoto
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pescadores e agricultores
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veterinários e bombeiros
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praticantes de esportes aquáticos
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moradores de áreas sem saneamento básico ou sujeitas a enchentes
Por Tarsis Murad