A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, na manhã desta sexta-feira (27), o fotógrafo Manoel Querino, em cumprimento a mandados relacionados a denúncias de exploração de menores, manipulação psicológica e produção de conteúdo íntimo na região do Vale do Aço. O investigado, que comandava uma suposta agência de influenciadores em Coronel Fabriciano, é apontado por utilizar as redes sociais para atrair vítimas com promessas de crescimento profissional e, posteriormente, forçá-las a participar de atos sexuais gravados e sessões fotográficas explícitas.
Segundo relatos que embasaram a operação, o fotógrafo abordava jovens e adolescentes pelo Instagram, oferecendo inicialmente ensaios casuais. Com o tempo, de acordo com as denúncias, as propostas se tornavam coercitivas. Depoimentos de ex-integrantes do grupo, como Yasmim Carvalho e Luiz Santos, apontam que, durante encontros realizados em hotéis da região, modelos — incluindo menores de idade — eram pressionadas a tirar a roupa e manter relações sexuais enquanto eram filmadas.
As investigações também indicam o uso de manipulação emocional, com promessas de “fortalecimento da autoestima” e “visibilidade” nas redes sociais como estratégia para convencer as vítimas a produzir conteúdo sensual e explícito. De acordo com os relatos, quando os alvos se recusavam a participar dos materiais, eram submetidos a pressão psicológica, com afirmações de que não teriam espaço no mercado de influenciadores sem esse tipo de conteúdo.
Uma adolescente de 17 anos relatou ter sido assediada e tocada sem consentimento em estabelecimentos comerciais no centro de Coronel Fabriciano. Segundo o depoimento, o investigado insistia para que ela posasse apenas de peças íntimas em via pública, ignorando negativas frequentes. Ainda conforme as denúncias, a suposta agência funcionava sem pagamento aos participantes. Jovens e adolescentes eram submetidos a longas jornadas de gravação, com relatos de privação de alimentação e ambiente considerado autoritário. Há suspeita de que o número de vítimas possa ultrapassar 150 pessoas ao longo de aproximadamente seis anos, incluindo crianças, adolescentes e mulheres adultas.
Após a exposição pública dos casos nas redes sociais no último domingo (22), o suspeito teria tentado apagar mensagens e conversas em chats temporários. Mesmo assim, o conjunto de relatos e registros levou à deflagração da operação que resultou na prisão. O investigado permanece à disposição da Justiça e responderá às acusações em inquérito conduzido pela Polícia Civil. As autoridades reforçam que possíveis vítimas podem procurar a delegacia para formalizar denúncia.
