Os robôs, que por muito tempo habitaram apenas o imaginário e a ficção científica, hoje fazem parte do cotidiano em áreas como o agronegócio, a indústria e a saúde. O avanço da automação — marcada por eficiência, precisão e segurança — tem impulsionado a pesquisa em instituições como a Universidade Federal de Viçosa (UFV), que recentemente aprovou a criação do curso de graduação em Engenharia de Robôs. É nesse contexto que o Departamento de Engenharia Elétrica (DEL) apresentou o primeiro robô quadrúpede totalmente desenvolvido em seus laboratórios, um marco inédito para a Universidade. O projeto é assinado pelo estudante de Engenharia Elétrica Bernardo Seabra, que o apresentou no Workshop on Robotics in Education. O trabalho também foi publicado pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), uma das principais instituições do mundo em tecnologia e engenharia.
Desafio de engenharia: um robô quadrúpede do zero
Criar um robô quadrúpede estável é um desafio reconhecido, mesmo com os avanços constantes da robótica. No caso da UFV, o robô foi concebido e construído integralmente na Universidade, sem uso de kits ou peças comerciais prontas. Bernardo relata que o desenvolvimento exigiu lidar com fatores reais como atrito, inércia e gravidade, fundamentais para garantir robustez e funcionamento preciso.
“O desempenho do robô é um espelho perfeito do que foi modelado e validado no computador em tempo real”, destaca o estudante, celebrando os resultados obtidos após longas horas de testes e ajustes.
Uma plataforma educacional aberta
Além de inovador, o robô é uma plataforma educacional. O projeto foi pensado para ser aberto, acessível e replicável, permitindo que estudantes e pesquisadores utilizem o modelo para testar algoritmos de inteligência artificial, visão computacional, desvio de obstáculos e outras tecnologias emergentes.
“É como uma tela em branco para novas soluções em robôs quadrúpedes”, explica Bernardo.
Diferencial técnico e originalidade
O orientador do projeto, professor Tarcísio Pizziolo, destaca a originalidade da criação. Embora existam robôs quadrúpedes no mercado, nenhum é semelhante ao desenvolvido no DEL. O projeto integra conhecimentos de engenharia elétrica, mecânica e de computação — refletindo a natureza multidisciplinar da robótica moderna.
Entre os recursos técnicos, o robô possui:
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12 graus de liberdade, possibilitando movimentos rotacionais e lineares;
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Coordenação de diferentes tipos de passada, como crawl e trot;
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Suavização de trajetórias com curvas de Bézier;
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Cinemática inversa completa;
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Avaliação de estabilidade por polígono de suporte.
Essas características permitem deslocamento omnidirecional e adaptação a diversos tipos de terreno com eficiência energética e segurança — qualidades essenciais para atuação em áreas de risco, como inspeções em usinas nucleares ou regiões afetadas por desastres naturais.
Experiência transformadora
Para Bernardo, o trabalho representa o ápice da graduação. “Foi a experiência mais desafiadora e gratificante do curso”, afirma. “Foram muitas madrugadas testando códigos e enfrentando desafios que pareciam intransponíveis.” O ineditismo do projeto reforça o potencial da UFV e antecipa o horizonte de oportunidades abertas pelo novo curso de Engenharia de Robôs. “O quadrúpede demonstra exatamente as competências que queremos desenvolver na graduação”, conclui o professor Pizziolo.
