COP30 terminará neste dia 21 de novembro, podendo ser prorrogada se para as decisões não houver consenso. A COP de Belém tem uma pauta viciada e repetitiva. Na última década os temas principais são o aquecimento global, transição para o fim do uso do combustível fóssil e canalização de verbas para irrigar os diversos Fundos. Desmatamento da Amazônia foi inserido por pressão e aceite do governo brasileiro. As propostas, como sempre acontece, integrarão um documento que os países firmam e depois esquecem. Cientificamente o tema aquecimento global parece ser aquele que merece mais atenção. Falar em aquecimento em tempo de frio intenso parece utopia. No Brasil tivemos em 2025 um dos invernos mais rigorosos dos últimos tempos e na Europa, EUA e outros países ele também acontece. Para relembrar um fenômeno, em 1964 houve registro de neve no Distrito Federal, algo extremamente raro fora da região Sul do país.
Há registros da revista SCIENCE de que existem cerca de 215 mil geleiras no mundo. Nessa estimativa, não estão incluídas as grandes camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida. Essas geleiras ocupam uma área de 705 mil km². Elas são os principais reservatórios de água doce fora das calotas polares e desempenham papel crucial no equilíbrio climático global. O monitoramento se dá por sensores remotos, drones, satélites e estações de campo. Alguns cientistas apontam imprecisões no monitoramento, principalmente aqueles feitos por satélites. Dizem eles, que apenas 100 geleiras são monitoradas, e se assim o for, os dados seriam insuficientes para se determinar riscos. Mas eles existem. Expedição de 7 meses, iniciada em dezembro/2024 reuniu pesquisadores da Rússia, China, Brasil, Argentina, Chile, Índia e Peru. Viajaram a bordo do navio russo Akademik Tryoshnikov e percorreram 20 mil km da costa Antártida. Coletaram dados físicos e atmosférico, químicos e biológicos para entender os impactos das mudanças climáticas nas geleiras. O desafio é entender como os fenômenos espaciais afetam o planeta. E concluíram que as geleiras cresceram os últimos 3 anos.
Aumentando as geleiras na Antártida é de se pensar o futuro. Se acontecer o aquecimento global haverá mais água nos oceanos e os danos podem ser enormes. Num cenário de extremismo, os oceanos poderiam subir 1,9 metros até o ano 2100, segundo estudo da Universidade Tecnológica de Nanyang. Se acontecer, cidades como Macapá, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Recife ficariam parcialmente submersas. Com maior nível de água, os oceanos represariam um rio que deságua diretamente no mar (rio de foz oceânica) e os efeitos de alagamento poderão chegar as nascentes.
O aquecimento global é levado a sério por alguns e desacreditado por muitos. Estudos indicam que o tema deve ser elevado a sério. A COP30, infelizmente, não consegue despertar a atenção necessária para que ações efetivas sejam adotadas desde já. A transição para o uso de energia limpa e abandono do combustível fóssil tem forte resistência dos países produtores como membros da OPEP, Rússia e China. Eles não assinam qualquer tratado que determine data para o fim do uso. Como dito, extrairão até a última gota. Arrecadar fundos a fundo perdido, está envolto em ceticismo. Países pobres estão com o pires na mão.