Uma nova espécie de árvore foi descoberta por pesquisadores do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV), na região de Coronel Fabriciano, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. A planta, que pode atingir até seis metros de altura, pertence à família Myrtaceae, a mesma de frutas conhecidas como jabuticaba, pitanga e goiaba.
Batizada de Myrcia magnipunctata, a nova espécie chama atenção por suas folhas longas e a presença marcante de pelos no caule e na face inferior das folhas, conferindo-lhe um tom marrom-avermelhado. O nome faz referência às pontuações translúcidas visíveis nas folhas — magnipunctata significa “com grandes pontuações”, em latim.
A descoberta foi feita de forma inusitada durante o inventário florestal de uma área de preservação da empresa Cenibra, realizado pelo doutorando Otávio Verly como parte de sua pesquisa de tese. A planta chamou a atenção por características morfológicas incomuns e, após análises e comparações com espécies já descritas, os cientistas confirmaram se tratar de uma nova espécie.
De volta à UFV, Verly contou com o apoio do Grupo de Estudo em Economia e Manejo Florestal (GEEA) para coletar novos materiais botânicos com flores e frutos. O trabalho também teve a colaboração do professor Marcos Sobral, da Universidade Federal de São João del-Rei, especialista em Myrtaceae, responsável pela descrição taxonômica da espécie, publicada no periódico científico Phytotaxa, em julho.
Segundo os pesquisadores, apenas 11 indivíduos da nova espécie foram encontrados na região, entre jovens e adultos. Isso pode indicar uma distribuição restrita, mas também levanta a hipótese de que a planta ocorra em outros fragmentos ainda pouco estudados da Mata Atlântica.
“A descoberta mostra que, apesar da degradação, a Mata Atlântica ainda guarda segredos. Acreditamos que muitas espécies seguem invisíveis à ciência, especialmente em áreas mal exploradas”, afirmou o professor Carlos Eleto Torres, da UFV. Agora, o próximo passo dos cientistas é estudar a ecologia reprodutiva e a dinâmica populacional da espécie, para embasar estratégias eficazes de conservação.
Informação: UFV
