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Mesmo longe do mar, UFV se torna referência em mergulho científico

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Professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) têm se destacado nacional e internacionalmente na pesquisa subaquática. A resposta para essa contradição geográfica está na ciência: por meio da Unidade de Mergulho Científico (UMC), docentes de diversas áreas vêm promovendo uma abordagem inovadora, transdisciplinar e altamente especializada sobre o mergulho como ferramenta de investigação científica. Criada em 2012, a UMC surgiu com a chegada do professor Oswaldo Del Cima ao Departamento de Física (DPF). Com mais de 40 anos de experiência como mergulhador e instrutor da National Association of Underwater Instructors (NAUI), ele adaptou os treinamentos às condições da região e atraiu colegas para a prática. Hoje, a equipe conta com professores das áreas de Física, Medicina, Enfermagem, Geografia, História, Biologia e Educação Física, unindo ciência básica, aplicada e tecnologia de ponta em projetos com impacto real.

Entre os estudos em andamento, destacam-se os que analisam a biomecânica respiratória em mergulhadores SCUBA, coordenados pela professora Amanda Silvatti, e as contribuições da prática de Pranayama (respiração iogue) na performance fisiológica dos mergulhadores, conduzidas pelo professor Rodrigo Batista. A equipe também estuda os riscos do estresse descompressivo, fenômeno que pode causar sérios danos ao organismo após mergulhos prolongados ou profundos. Em colaboração com o Laboratório de Imunovirologia da UFV, os pesquisadores estão identificando biomarcadores inflamatórios (citocinas) em exames de sangue coletados antes e depois de mergulhos experimentais. O primeiro teste foi realizado no Lago Paranoá, em Brasília.

Nos Laboratórios de Microfluídica e Fluidos Complexos, os professores Oswaldo Del Cima e Álvaro Teixeira simularam a formação de bolhas de gás no organismo, fenômeno chave no entendimento da descompressão. Os dados poderão ser usados no desenvolvimento de modelos de planejamento de mergulho mais seguros. O geógrafo André de Faria também integra a UMC e estuda, por meio de amostras coletadas no fundo de corpos d’água, os impactos ambientais causados por poluição, microplásticos, rejeitos minerais e agrotóxicos. As amostras são analisadas em laboratórios especializados da UFV, como o de Geomorfologia e o de Espectroscopia Raman.

A UMC oferece treinamentos para bombeiros, peritos, biólogos e estudantes que atuam em investigações subaquáticas. Os professores também integram comissões como o PPG-Mar/SECIRM, o CIPARD/CBMMG, o NAUITEC e o Space & Extreme Environment Research Center, com participação internacional. Além disso, duas disciplinas optativas – Fundamentos do Mergulho Livre e Fundamentos do Mergulho Autônomo (SCUBA) – foram incluídas na graduação, disponíveis para todos os cursos da UFV. Segundo Oswaldo Del Cima, o mergulho reúne conhecimentos da física clássica à biologia molecular, passando pela medicina, educação física e ciências humanas. “O mergulho é essencialmente interdisciplinar. É a ciência que nos leva ao fundo das águas, mesmo longe do mar.”

Informação: UFV
Os professores Álvaro Teixeira, Eduardo de Araújo, Oswaldo Del Cima e André de Faria
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